Há encontros que não precisam durar horas para mudar completamente o nosso dia. Às vezes, bastam alguns minutos, um sorriso e duas mãos que se encontram por acaso.
Minha segunda-feira, 17 de agosto de 2026, começou como tantas outras: cedo.
Por volta das 6h05, eu já estava de pé para colocar o lixo na rua. E isso exigiu uma pequena operação silenciosa: Tufão, meu Labrador, dormia tranquilamente na sala e eu precisava passar por ele sem acordá-lo.
Missão cumprida.
Depois veio o café da manhã, uma aula de Direito das 8h às 9h30 e, em seguida, natação. Mais tarde, uma reunião profissional importante, almoço com minha mãe, trabalho na Drops Jurídico e textos para a Comunidade Cristã Voz e Fé.
Foi uma segunda-feira cheia.
E talvez justamente por isso eu não estivesse esperando que um dos menores acontecimentos do dia se tornasse o maior deles.
Quando a vida foge do roteiro
No final da tarde, fiz meus 40 minutos de esteira na academia e, ao sair, passei pelo Carrefour.
E lá estava ele.
Gabriel.
Quem acompanha o Podcast do Fábio já ouviu esse nome algumas vezes. É alguém que, aos poucos e sem fazer absolutamente nenhum esforço para isso, acabou despertando em mim um carinho enorme.
Não foi planejado. Não fui até lá esperando que alguma coisa acontecesse.
Mas aconteceu.
Assim que cheguei, ele me viu e sorriu. Durante minhas compras, em determinado momento, aproximou-se e perguntou se eu já iria para o caixa.
E eu, com toda a capacidade de raciocínio que aparentemente abandona um ser humano diante do crush, respondi que não. Eu ainda procurava uma coisa na geladeira para minha mãe.
Não demorou nem um minuto para eu mudar de ideia.
“Agora estou indo para lá, sim. Ah, você que está lá hoje? Que legal!”
Pois é.
Talvez naquele instante eu tenha sido um pouquinho menos discreto do que imaginava.
Um gesto tão pequeno
Fomos para o caixa.
E foi ali que aconteceu uma coisa aparentemente banal, dessas que provavelmente passariam despercebidas em qualquer outro dia.
Enquanto ele me entregava os saquinhos das compras, nossas mãos se encostaram.
Mais de uma vez.
A mão dele estava geladinha.
E eu sei: contado assim, parece absolutamente nada.
Mas sentimentos têm essa característica curiosa. O significado de um gesto não é medido pelo tamanho do gesto.
Às vezes um toque de segundos permanece conosco durante horas.
Eu já gostava do jeito dele. Da delicadeza, do sorriso, da maneira atenciosa de tratar as pessoas. Mas naquele dia senti uma proximidade diferente.
No final, ele sorriu e me desejou uma boa semana.
Retribuí.
E saí.
Só que saí do Carrefour como se estivesse no céu.
Será que ele percebeu?
Essa pergunta inevitavelmente apareceu depois.
Será que Gabriel já percebeu que existe alguma coisa diferente no meu jeito de olhar para ele?
Talvez.
Talvez não.
Depois da minha maravilhosa tentativa de disfarce — dizer que não iria ao caixa e, menos de um minuto depois, anunciar alegremente que estava indo justamente porque ele estaria lá — confesso que existe alguma possibilidade de eu ter fornecido pistas.
Mas existe uma diferença fundamental entre perceber o sentimento de alguém e corresponder a esse sentimento.
E eu não quero transformar gestos gentis em declarações que nunca foram feitas.
Posso falar com absoluta certeza sobre aquilo que eu senti.
Sobre aquilo que ele sente, somente ele poderá falar.
Gostar não é possuir
Talvez essa seja a parte mais importante dessa história.
Eu estou encantado pelo Gabriel.
Posso dizer isso.
Mas gostar de alguém não nos concede direito algum sobre essa pessoa.
Ele tem sua vida, sua liberdade, suas escolhas e, principalmente, naquele ambiente, está trabalhando.
Por isso existe uma linha que não quero ultrapassar.
Não vou esperá-lo na saída. Não vou pressioná-lo. Não vou exigir uma resposta para uma pergunta que sequer fiz.
Se algum dia alguma coisa tiver que acontecer, quero que aconteça pela liberdade dos dois.
Porque amor, para mim, nunca deveria significar posse.
Amar é querer estar junto de alguém que também escolheu estar junto de você.
Fé, sexualidade e o direito de amar
O encontro com Gabriel acabou abrindo espaço, no episódio de hoje, para uma conversa muito maior.
Sou cristão, teólogo e pastor de uma comunidade inclusiva. Também sou bissexual.
Essas realidades não estão em guerra dentro de mim.
Minha compreensão da mensagem de Jesus passa inevitavelmente pelo acolhimento, pela misericórdia e pela impossibilidade de transformarmos nossa fé em instrumento para condenar pessoas.
Ao mesmo tempo, minha visão pessoal sobre relacionamentos é bastante simples.
Não procuro uma multidão.
Procuro um.
Alguém para amar e por quem ser amado. Alguém com quem exista fidelidade, companheirismo, respeito, intimidade e liberdade para construir uma vida compartilhada.
Se será homem ou mulher, a vida dirá.
O que desejo é reciprocidade.
A coragem de sentir
Talvez Gabriel nunca escute o Podcast do Fábio.
Talvez escute.
E confesso que imaginar essa segunda possibilidade provoca aquele friozinho na barriga.
Porque transformar a própria vida em um audioblog significa aceitar que nunca sabemos exatamente quem está do outro lado.
Mas existe algo que aprendi e que continuo tentando praticar:
não devemos nos envergonhar da verdade do nosso coração.
Isso não significa despejar nossos sentimentos sobre outra pessoa e exigir que ela faça alguma coisa com eles.
Significa apenas não mentir para nós mesmos.
Hoje eu fiquei feliz.
Muito feliz.
Um rapaz de quem gosto sorriu para mim, conversou comigo, esteve perto de mim e, por alguns segundos, nossas mãos se encontraram sobre pequenos saquinhos de compras.
Pode não significar absolutamente nada sobre amanhã.
Mas significou alguma coisa hoje.
E talvez a vida seja justamente feita desses instantes.
Agora, ouça essa história contada por mim 🎙️
Aqui eu consegui escrever uma parte do que aconteceu.
Mas há coisas que um texto não consegue reproduzir: o constrangimento, as risadas, as pausas, minhas próprias dúvidas e a maneira como um encontro completamente inesperado acabou conduzindo boa parte do episódio.
Também converso sobre fé, cristianismo inclusivo, sexualidade, fidelidade, relacionamentos, minhas histórias de amor e o medo — e a esperança — de que certas palavras possam chegar justamente a quem as inspirou.
❤️ Um Sorriso, Um Toque e a Semana Mudou
🎧 Ouça agora o episódio completo do Podcast do Fábio:
www.podcastdofabiotv.com.br
Podcast do Fábio — o podcast da vida real.
Porque a vida não precisa ser perfeita para produzir histórias bonitas.
Às vezes, ela só precisa nos pegar de surpresa.

Fabio
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