Estamos no dia 2 de junho de 2026.

Daqui a menos de um mês, no dia 1º de julho, completarei mais um ano de vida.
Alguém me perguntou recentemente se eu acreditava em “inferno astral”. Confesso que não sou uma pessoa que baseia sua vida na astrologia. Minha fé está em Deus. Ainda assim, achei curioso descobrir que, segundo essa crença popular, o chamado inferno astral começa aproximadamente trinta dias antes do aniversário.
E talvez exista uma certa sabedoria humana por trás dessa ideia.
Não porque os astros determinem nosso destino.
Mas porque, quando um aniversário se aproxima, somos naturalmente levados a olhar para trás.
Fazemos um balanço.
Pensamos no que conquistamos.
Pensamos no que perdemos.
Pensamos nos sonhos que realizamos e naqueles que ainda permanecem guardados em algum lugar do coração.
Nos últimos dias tenho refletido muito sobre a vida.
Sou grato por tantas coisas.
Sou advogado.
Sou professor.
Sou teólogo.
Sou radialista.
Tenho minha fé.
Tenho minha mãe.
Também carrego comigo a memória daqueles que já partiram.
Meu pai.
Meus avós.
Parentes e amigos que ajudaram a construir a pessoa que sou hoje.
Alguns já não estão fisicamente entre nós, mas permanecem vivos em minhas lembranças, em meus valores e em muitas das escolhas que faço todos os dias.
Tenho projetos.
Tenho alunos.
Tenho uma história.
Mas também percebo que existem ausências que continuam doendo.
Recentemente ouvi uma entrevista do Manolo Arjona, ex-integrante do Locomía. Em determinado momento, ele disse uma frase que ficou ecoando dentro de mim:
“Tenho tudo, mas me faltou o amor.”
Aquela frase me atingiu profundamente.
Talvez porque eu a compreenda.
Talvez porque, em algum lugar da minha alma, eu também saiba exatamente o que ela significa.
Não estou falando de amizade.
Não estou falando do amor de Deus.
Não estou falando do carinho da família.
Graças a Deus, recebo tudo isso.
Estou falando daquele amor que caminha ao nosso lado.
Do companheiro.
Da pessoa que segura nossa mão quando a vida pesa.
Da pessoa com quem dividimos os sonhos, as alegrias e os medos.
Durante muito tempo lutei contra essa falta.
Questionei.
Sofri.
Esperei.
Me revoltei.
Hoje não.
Hoje existe tristeza, sim.
Mas existe paz também.
A tristeza não desapareceu.
Talvez ela nunca desapareça completamente.
Mas aprendi a conviver com ela.
Aprendi que a vida não pode parar porque algo nos falta.
Aprendi que a gratidão não elimina a dor, mas a torna mais suportável.
Talvez seja isso que muitos chamam de maturidade.
Olho para minha vida e percebo que ainda existem muitos sonhos.
Alguns talvez nunca se realizem.
Outros podem surgir quando menos espero.
Mas existe algo que aprendi ao longo da caminhada:
Não podemos viver apenas pelo que nos falta.
Precisamos agradecer pelo que já temos.
E eu tenho muito.
Por isso, se este período que antecede meu aniversário é realmente um “inferno astral”, ele tem sido um inferno diferente.
Não um tempo de desespero.
Mas um tempo de reflexão.
Um tempo de olhar para trás sem negar as dores.
Um tempo de agradecer pelas bênçãos.
Um tempo de aceitar aquilo que não posso controlar.
E, acima de tudo, um tempo de continuar caminhando.
Porque a vida segue.
E enquanto Deus me conceder mais um dia de vida, continuarei fazendo o que sempre procurei fazer:
Amar.
Ensinar.
Aprender.
Servir.
E acreditar que, mesmo quando não entendemos os caminhos da vida, Deus continua escrevendo a nossa história.
Com carinho, gratidão a Deus e gratidão pela vida.