
Hoje eu acordei às cinco e meia da manhã.
Ainda estava escuro quando levei o Tufão para fazer seu passeio. O frio de São Paulo cortava a pele, mas a vida não espera o clima melhorar. A vida acontece. E ela exige que a gente continue.
Dei aula de Direito, profissão que exerço há quase vinte anos e que ainda me faz sorrir. Fui para a natação, enfrentei o frio, voltei para casa, almocei com minha mãe, cuidei da minha rádio, organizei meus projetos e, mais tarde, fui para a segunda academia do dia.
Rotina comum.
Mas, às vezes, são justamente os dias comuns que revelam as maiores verdades.
Eu já disse muitas vezes uma frase que se tornou quase um lema da minha vida:
“Eu sei bem o que quero viver na minha vida. Não posso exigir que ninguém queira viver o mesmo que eu. Mas posso, sim, buscar alguém que queira viver o mesmo.”
Talvez seja por isso que eu ainda me emocione com pequenos gestos.
Um sorriso sincero.
Uma pergunta simples:
“Como você está?”
Hoje, no supermercado, encontrei alguém assim.
Gabriel.
Não sei nada sobre ele além do seu jeito gentil, do sorriso meigo e da simplicidade com que me desejou uma boa semana. E, no entanto, aquilo me fez pensar.
Ainda sou capaz de me encantar.
Isso é bonito.
Ao mesmo tempo, a vida me ensinou a não idealizar demais as pessoas. Já criei expectativas onde não deveria. Já imaginei histórias que existiam apenas dentro de mim. Já me decepcionei.
E talvez a maturidade não seja deixar de amar.
Talvez seja aprender a amar sem se abandonar.
Hoje eu compreendo algo que demorou anos para aprender:
Não preciso provar nada a ninguém.
Não preciso ser escolhido para ter valor.
Não preciso disputar atenção.
Não preciso mudar meus princípios para caber na vida de alguém.
Eu continuo acreditando na fidelidade.
Continuo acreditando em compromisso.
Continuo acreditando que existem pessoas que desejam construir algo verdadeiro.
E se não encontrá-las?
Ainda assim, minha vida terá valido a pena.
Porque eu tenho minha mãe.
Tenho meu cachorro, meu velho companheiro de tantas madrugadas.
Tenho meus alunos.
Tenho minha fé.
Tenho a Comunidade Cristã Voz & Fé.
Tenho a minha voz.
Tenho meus sonhos.
E, acima de tudo, tenho a mim mesmo.
Os anos estão passando.
Cronos continua correndo.
Meu aniversário se aproxima e, confesso, às vezes isso me assusta. O tempo nos obriga a fazer perguntas difíceis.
Será que ainda vou amar?
Será que ainda serei amado?
Será que alguém escolherá caminhar ao meu lado?
Eu não sei.
Mas aprendi algo precioso:
Enquanto a resposta não vem, eu não deixarei de viver.
Continuarei acordando cedo.
Continuarei estudando.
Continuarei ensinando.
Continuarei cuidando de quem amo.
Continuarei acreditando.
Porque a vida não começa quando encontramos o amor.
A vida acontece todos os dias.
Entre o tempo e a esperança.
E eu escolho continuar esperando.
Não com desespero.
Mas com fé.
Porque Deus sabe o que faz.
E eu, TEIMOSAMENTE, ainda acredito no melhor.

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