Eu sei o que quero viver — mas o amor precisa de dois!

26 de agosto de 2026
Há dias em que a vida parece não trazer nenhum grande acontecimento. A gente acorda, trabalha, resolve problemas, cumpre compromissos, come, conversa, volta para casa e dorme.
Mas talvez seja justamente nesses dias aparentemente comuns que algumas das reflexões mais importantes aconteçam.
Esta quarta-feira começou para mim às 5h45 da manhã.
Eu havia ido dormir por volta de 1h45. Portanto, se alguém me perguntar se dormi o suficiente, a resposta é bastante óbvia: não!
Mas segunda, quarta e sexta são dias de colocar o lixo para fora aqui em casa. E lá fui eu.
Essa também é a vida.
Aliás, é por isso que chamo o Podcast do Fábio de “o podcast da vida real”.
A vida real não é feita somente das grandes viagens, das festas, dos encontros inesquecíveis e das fotografias bonitas que publicamos nas redes sociais.
A vida real também é acordar cedo para colocar o lixo na rua.
É preparar o café da manhã.
É cuidar de quem amamos.
É trabalhar cansado.
É receber uma intimação e descobrir que existe uma sentença judicial esperando uma manifestação.
É sentar diante do computador, ler, estudar, pensar, escrever e protocolar uma petição.
Sou advogado e professor de Direito há 19 anos. No próximo ano serão duas décadas ensinando Direito. E, apesar de tantos anos de profissão, cada processo continua sendo uma responsabilidade concreta, porque por trás daqueles números existem pessoas e interesses que alguém confiou ao nosso trabalho.
Foi assim que uma parte da minha madrugada e da minha manhã se transformou em advocacia.
Depois veio a natação.
E nadar também se tornou parte dessa nova fase da minha vida.
O corpo que tenho e a vida que estou construindo
Tenho 1,98 metro. Atualmente estou com aproximadamente 122 quilos e venho de um peso que chegou aos 148.
São cerca de 26 quilos eliminados ao longo de um processo de mudança, acompanhamento, alimentação e cuidados.
E, curiosamente, falar sobre academia e natação fez surgir entre os ouvintes uma quantidade enorme de perguntas sobre corpo, aparência e até sobre como me comporto no vestiário.
Algumas são tão inusitadas que acabam entrando no podcast.
Mas existe uma resposta que serve para praticamente todas elas:
eu sou quem eu sou.
Meu corpo não precisa ser perfeito para que eu tenha o direito de existir confortavelmente dentro dele.
Posso querer emagrecer. Posso cuidar da alimentação. Posso fazer exercícios. Posso buscar uma condição física melhor.
Nada disso significa que eu precise odiar o homem que vejo hoje no espelho.
Talvez uma das liberdades que a maturidade proporciona seja justamente esta: compreender que não precisamos agradar a todos.
Algumas pessoas vão gostar de nós.
Outras não.
E tudo bem.
Também não gostamos de todas as pessoas que encontramos.
Por que, então, deveríamos esperar unanimidade em relação a nós?
O problema começa quando entregamos ao olhar do outro a responsabilidade de definir o nosso próprio valor.
E no meio da rotina aparece o amor
Depois da advocacia, da natação, da gravação de uma aula de Legislação Penal Especial, dos compromissos profissionais e de uma ida ao mercado com minha mãe, o dia poderia simplesmente terminar.
Mas quem acompanha o Podcast do Fábio sabe que, em algum momento, o assunto acaba chegando aos sentimentos.
Talvez porque eu seja sentimental.
Talvez porque goste de falar sobre aquilo que vivemos e nem sempre conseguimos explicar.
E uma conversa dos últimos dias me fez enxergar uma diferença que parece óbvia depois que alguém aponta, mas que nem sempre conseguimos perceber quando estamos vivendo a situação por dentro.
Gostar sozinho é crush. Amor precisa de dois.
Parece uma frase pequena.
Mas há muita coisa dentro dela.
Crush e amor não são a mesma coisa
Eu posso olhar para alguém e achá-lo bonito.
Posso admirar o jeito daquela pessoa.
Posso gostar da maneira como fala, como sorri, como olha.
Posso esperar encontrar aquela pessoa novamente.
Posso sentir aquele friozinho diferente quando ela aparece.
Posso até imaginar como seria se alguma coisa acontecesse entre nós.
Tudo isso é legítimo.
O sentimento é meu.
O problema surge quando começamos a transformar aquilo que sentimos numa história que ainda não aconteceu.
Porque existe uma diferença enorme entre:
“Eu gostaria de viver isso com você.”
e
“Nós estamos vivendo isso.”
Na primeira frase existe um desejo.
Na segunda existe uma relação.
E para passar de uma para a outra é indispensável algo chamado reciprocidade.
Ninguém pode amar pelos dois
Essa talvez seja uma das verdades mais difíceis para quem sente intensamente.
Não podemos escolher pelo outro.
Não podemos desejar pelo outro.
Não podemos decidir pelo outro.
E, principalmente, não podemos construir sozinhos uma relação que deveria ser construída por duas pessoas.
Isso não torna o nosso sentimento menos verdadeiro.
Posso gostar verdadeiramente de alguém que não gosta de mim da mesma maneira.
Meu sentimento não se torna falso por isso.
Mas ele também não cria automaticamente uma obrigação no outro.
Essa distinção é fundamental.
Porque amar também é reconhecer a liberdade de quem está diante de nós.
E talvez seja exatamente aí que o amor se diferencie da posse.
Eu quero que alguém esteja comigo porque quer estar comigo.
Não porque foi pressionado.
Não porque se sentiu culpado.
Não porque recebeu uma expectativa tão grande que acabou se sentindo responsável pela minha felicidade.
Quero alguém que possa olhar para mim e dizer livremente:
“Eu escolho você.”
Porque eu também quero poder olhar para essa pessoa e dizer exatamente a mesma coisa.
Eu ainda acredito em compromisso
Vivemos numa época em que parece quase antiquado dizer que queremos compromisso.
Pois eu quero.
Não tenho vergonha nenhuma disso.
Quero amar e ser amado.
Quero fidelidade.
Quero carinho.
Quero companheirismo.
Quero alguém que tenha orgulho de dizer que está comigo, assim como quero ter orgulho de dizer que estou com essa pessoa.
Quero poder colocar uma aliança no meu dedo e outra no dedo de alguém sabendo que aquele pequeno símbolo representa uma escolha feita pelos dois.
Isso não significa prisão.
Não significa eliminar amigos.
Não significa deixar de ter individualidade.
Significa simplesmente dizer:
“Entre tantas possibilidades, nós escolhemos construir alguma coisa juntos.”
Para mim, existe algo profundamente bonito nisso.
As pessoas que passaram por nossa vida também nos construíram
Ao falar sobre relacionamentos no episódio, acabei lembrando de pessoas que fizeram parte da minha história.
Algumas relações deram certo por algum tempo.
Outras terminaram.
Algumas deixaram boas lembranças.
Outras trouxeram aprendizados dolorosos.
E algumas pessoas já nem estão mais neste mundo.
Mas nossa história afetiva também é feita dessas camadas.
Não somos hoje exatamente as mesmas pessoas que fomos aos 20, 30 ou 40 anos.
E, ao mesmo tempo, existe alguma coisa daquele jovem dentro de nós.
Foi por isso que encerrei o episódio lembrando de “Scatola”, de Laura Pausini.
Existe algo muito bonito na ideia de olhar para quem fomos e perceber que aquela pessoa e a pessoa que somos hoje continuam fazendo parte da mesma história.
Eu mudei.
Graças a Deus.
Amadureci.
Errei.
Acertei.
Mudei de opinião.
Aprendi coisas.
Desaprendi outras.
Conheci pessoas.
Perdi pessoas.
Amei.
Fui amado.
Sofri.
Recomecei.
E continuo aqui.
Amadurecer não é deixar de sonhar
Talvez esta seja a principal reflexão que quero guardar desta quarta-feira.
Durante muito tempo, confundimos amadurecimento com desistência.
Como se tornar-se adulto significasse parar de acreditar.
Não acredito nisso.
Amadurecer não significa abandonar o sonho.
Significa aprender a realidade necessária para construí-lo.
Eu continuo acreditando no amor.
Continuo acreditando que posso encontrar alguém.
Continuo acreditando numa relação de carinho, desejo, amizade, companheirismo e fidelidade.
Continuo acreditando numa vida a dois.
Mas estou aprendendo cada vez mais que não basta encontrar alguém que eu queira.
Preciso encontrar alguém que também me queira.
E essa pequena palavra — “também” — muda tudo.
A fé continua acima de tudo
No final, porém, existe algo que permanece acima dessas expectativas.
Minha fé.
Posso fazer planos.
Posso desejar.
Posso procurar.
Posso sonhar.
Mas não controlo todas as circunstâncias da vida.
Por isso sigo entregando meus dias a Deus.
Agradeço pelo trabalho.
Agradeço pela minha mãe.
Agradeço pelas pessoas que me acompanham.
Agradeço por quem manda uma mensagem e, às vezes sem perceber, me obriga a enxergar determinada situação por um ângulo que eu ainda não havia considerado.
Agradeço pelo que chegou.
Pelo que permaneceu.
E até pelo que precisou partir.
Porque a vida continua.
Amanhã haverá trabalho novamente.
Haverá responsabilidades.
Talvez haja natação.
Haverá gente mandando perguntas absurdas para o podcast.
Certamente haverá alguma coisa para resolver.
E quem sabe, em algum lugar desse caminho, também exista alguém caminhando na direção contrária até que nossas estradas finalmente se encontrem.
Não sei.
Mas continuo acreditando.
E termino com a frase que tenho repetido e que, cada vez mais, resume aquilo que penso sobre a vida e sobre o amor:
Eu sei bem o que quero viver na minha vida. Não posso exigir que ninguém queira viver o mesmo que eu, mas posso, sim, procurar alguém que queira viver o mesmo que eu.
Não quero qualquer história apenas para dizer que tenho alguém.
Quero encontro.
Quero escolha.
Quero reciprocidade.
Quero verdade.
E, enquanto não acontece, continuo vivendo.
Trabalhando.
Aprendendo.
Rindo.
Errando.
Acertando.
Rezando.
Esperando.
E teimosamente…
continuo procurando.
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🎙️ Podcast do Fábio — o podcast da vida real
🌐 www.podcastdofabiotv.com.br
Porque a vida não acontece somente nos grandes acontecimentos. Às vezes, entre uma manhã de trabalho, uma piscina, uma ida ao mercado e uma conversa ao microfone, a gente descobre alguma coisa nova sobre nós mesmos.

