quarta-feira, 10 de junho de 2026

​A Mente que Protege e o Amor que Permanece.

A Mente que Protege e o Amor que Permanece


Reflexões de uma noite chuvosa sobre sentimentos, maturidade e os caminhos da vida.


Há momentos em que a vida nos convida a olhar para dentro.


Não necessariamente para revisitar o passado, mas para compreender melhor quem nos tornamos ao longo da caminhada.


Numa noite fria e chuvosa de junho, enquanto observava a chuva cair do lado de fora da janela e refletia sobre os acontecimentos dos últimos dias, percebi algo que talvez seja uma das características mais curiosas da experiência humana: nossa mente possui mecanismos de proteção que muitas vezes atuam sem que sequer percebamos.


A mente humana é extraordinária.


Ela cria explicações, constrói narrativas, reorganiza lembranças e, em determinadas situações, até mesmo suaviza dores antigas para que possamos continuar caminhando.


Às vezes, ela nos afasta emocionalmente de pessoas que um dia acreditamos serem importantes. Outras vezes, nos ajuda a compreender que certas histórias pertencem definitivamente ao passado.


Não por rancor.


Não por mágoa.


Mas porque algumas páginas já foram lidas, vividas e encerradas.


E tudo bem.


Nem todo capítulo foi escrito para durar para sempre.


O tempo que nos transforma


Ao longo da vida, todos nós mudamos.


Mudamos de opinião.


Mudamos de prioridades.


Mudamos de sonhos.


Aquilo que parecia indispensável aos vinte anos muitas vezes perde importância aos quarenta. O que antes parecia urgente passa a ser apenas uma lembrança distante.


Talvez a maior prova de maturidade seja justamente essa capacidade de perceber que nem tudo merece ocupar espaço permanente em nossa mente e em nosso coração.


Com o passar dos anos, fui compreendendo que a paz vale mais do que a ansiedade.


Que a estabilidade vale mais do que a aventura inconsequente.


Que a construção de algo verdadeiro vale mais do que a busca incessante por emoções passageiras.


O amor em tempos de superficialidade


Estamos às vésperas do Dia dos Namorados.


E, como acontece todos os anos nessa época, inevitavelmente surgem reflexões sobre amor, companheirismo e relacionamentos.


Vivemos em uma sociedade que frequentemente confunde desejo com afeto, atração com compromisso e proximidade física com intimidade verdadeira.


Talvez por isso tantas pessoas se sintam vazias mesmo estando cercadas de possibilidades.


O amor verdadeiro exige algo que a modernidade nem sempre está disposta a oferecer: tempo.


Tempo para conhecer.


Tempo para confiar.


Tempo para construir.


Tempo para permanecer.


Continuo acreditando que o amor não deve ser reduzido a encontros rápidos, interesses momentâneos ou relações descartáveis.


Continuo acreditando em fidelidade.


Continuo acreditando em respeito.


Continuo acreditando na beleza de duas pessoas que escolhem caminhar juntas olhando para a mesma direção.


Talvez isso pareça antiquado para alguns.


Para mim, continua sendo essencial.


Amor e sexo: uma reflexão necessária


Durante muitos anos tentei compreender a diferença entre amor e sexo.


A famosa canção de Rita Lee transformou essa discussão em poesia, mostrando que ambos possuem significados distintos e, ao mesmo tempo, profundamente conectados.


Com o passar do tempo, porém, percebi que para mim essa separação se tornou cada vez mais difícil.


Não porque uma coisa seja igual à outra.


Mas porque, quando falamos de relacionamentos afetivos verdadeiros, acredito que corpo, coração e alma caminham juntos.


O amor sem presença torna-se incompleto.


O desejo sem afeto torna-se vazio.


Por isso continuo acreditando que relacionamentos duradouros precisam ser construídos sobre algo muito mais profundo do que simples atração.


Precisam ser sustentados por valores compartilhados, respeito mútuo, admiração e compromisso.


Fé, projetos e propósito


Talvez uma das maiores bênçãos da maturidade seja descobrir que a vida não se resume à busca de um relacionamento.


Existem projetos.


Existem sonhos.


Existem missões.


Hoje minha atenção também está voltada para os caminhos profissionais que Deus colocou diante de mim.


A Web Rádio Drops Jurídico continua crescendo.


Novos projetos começam a surgir.


A Comunidade Cristã Voz & Fé dá seus primeiros passos.


As aulas, os alunos, os conteúdos produzidos diariamente e os desafios profissionais ocupam uma parte significativa da minha energia.


E isso é bom.


Porque uma vida equilibrada não depende exclusivamente de uma única área.


Ela floresce quando encontramos propósito em diferentes dimensões da existência.


A beleza da rotina


Muitas pessoas têm medo da rotina.


Eu não.


Talvez porque tenha aprendido que a rotina não é uma prisão.


Ela pode ser um abrigo.


Existe algo profundamente bonito em acordar sabendo quem somos, o que acreditamos e para onde estamos caminhando.


Existe paz em construir hábitos saudáveis.


Existe paz em cultivar a fé.


Existe paz em estudar, trabalhar, cuidar da saúde, ajudar pessoas e seguir em frente um dia de cada vez.


A rotina não elimina os sonhos.


Ela cria as condições para que eles aconteçam.


Amar continua valendo a pena


Se existe uma conclusão para todas essas reflexões, ela é simples.


Apesar das decepções.


Apesar dos erros.


Apesar das histórias que não deram certo.


Apesar do tempo.


Apesar das cicatrizes.


Amar continua valendo a pena.


Continuo acreditando que existem pessoas que procuram mais do que aparências.


Mais do que conveniências.


Mais do que momentos passageiros.


Pessoas que ainda acreditam em companheirismo, respeito, fidelidade e construção conjunta.


Enquanto essa possibilidade existir, a esperança também existirá.


E talvez seja justamente isso que mantém nosso coração vivo.


A mente pode nos proteger.


Mas é o amor que continua dando sentido à caminhada. 


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segunda-feira, 8 de junho de 2026

Inferno Astral, Fé e Esperança: Um Balanço Sincero da Vida.

Inferno Astral, Fé e Esperança: Um Balanço Sincero da Vida.




Há momentos do ano em que inevitavelmente somos levados a olhar para trás.

Não porque queremos viver do passado. Não porque desejamos ficar presos ao que já aconteceu. Mas porque existem períodos em que a vida parece nos convidar a uma pausa, a uma reflexão e a uma avaliação sincera de quem somos, de onde viemos e para onde estamos indo.

Para mim, esse período costuma acontecer nas semanas que antecedem o meu aniversário.

Alguns chamam isso de “inferno astral”. Outros consideram apenas uma coincidência do calendário. Seja qual for o nome, existe algo real nesse processo: a proximidade de mais um ano de vida nos faz pensar.

Pensar nos sonhos realizados.

Pensar nos sonhos que ficaram pelo caminho.

Pensar nas pessoas que chegaram.

Pensar nas pessoas que partiram.

Pensar naquilo que ainda esperamos viver.

Nos últimos dias, enquanto enfrentava uma gripe, cuidava da saúde da minha mãe e acompanhava as dificuldades do meu velho companheiro de quatro patas, o Tufão, percebi mais uma vez como a vida é feita de ciclos.

Existem momentos de força.

Existem momentos de fragilidade.

Existem períodos em que somos cuidados.

E existem períodos em que precisamos cuidar.

Talvez a maturidade seja justamente compreender que ambos fazem parte da mesma caminhada.

A Ilusão da Juventude e a Verdade da Vida

Quando somos mais jovens, frequentemente acreditamos que a felicidade está sempre em algum lugar adiante.

Quando eu tiver aquele emprego.

Quando eu conquistar aquele diploma.

Quando eu ganhar mais dinheiro.

Quando eu encontrar alguém.

Quando eu realizar determinado sonho.

Mas os anos ensinam algo diferente.

Eles mostram que a felicidade não está necessariamente na chegada.

Ela está no caminho.

Hoje, olhando para minha trajetória, vejo um advogado, professor, radialista, teólogo, músico e produtor de conteúdo.

Vejo alguém que construiu muitas coisas.

Vejo alguém que realizou objetivos importantes.

Mas também vejo alguém que continua aprendendo.

Porque a vida não para de ensinar.

A Busca Pelo Amor

Um dos temas que mais apareceu em minhas reflexões recentes foi o amor.

Não o amor idealizado dos filmes.

Não o amor descartável dos aplicativos.

Não o amor instantâneo da cultura atual.

Mas aquele amor que permanece.

O amor que constrói.

O amor que atravessa as dificuldades.

O amor que escolhe permanecer mesmo quando a paixão inicial já não é suficiente para sustentar uma relação.

Vivemos em uma época que valoriza muito o prazer imediato e pouco a permanência.

Talvez por isso tantas pessoas se sintam sozinhas.

Porque sexo pode satisfazer um desejo momentâneo.

Mas somente o amor pode preencher determinados espaços da alma.

Não existe problema em desejar companhia.

Não existe problema em querer alguém para dividir a vida.

O problema surge quando tentamos preencher com relacionamentos superficiais aquilo que, na verdade, exige profundidade.

Ao longo dos anos compreendi algo simples: eu sei o que desejo viver.

Não posso exigir que ninguém queira viver o mesmo.

Mas posso procurar alguém que compartilhe dos mesmos valores.

A Fé Que Acolhe

Outra reflexão importante deste período envolve a espiritualidade.

Vivemos em um mundo onde muitas pessoas utilizam a religião para afastar.

Jesus fez exatamente o contrário.

Ele acolheu.

Ele ouviu.

Ele caminhou junto.

Ele enxergou seres humanos onde outros enxergavam apenas rótulos.

Por isso continuo acreditando que o Evangelho é uma mensagem de amor.

Não de exclusão.

Não de condenação.

Não de rejeição.

Mas de transformação.

De acolhimento.

De encontro.

Acredito que Deus continua chamando pessoas para perto de si.

Não porque sejam perfeitas.

Mas justamente porque são humanas.

E talvez seja essa uma das maiores mensagens que precisamos reaprender em nossos dias.

O Valor das Pequenas Coisas

Talvez uma das maiores descobertas da maturidade seja perceber que a vida não acontece apenas nos grandes momentos.

Ela acontece nos detalhes.

Na conversa com um amigo.

No sorriso inesperado de alguém.

Na missa de domingo.

Na aula dada com dedicação.

Na caminhada da academia.

Na mensagem recebida.

No cachorro que late durante a madrugada porque precisa de ajuda.

Na mãe que precisa de cuidado.

Nos gestos simples que, muitas vezes, passam despercebidos.

A vida não é feita apenas de acontecimentos extraordinários.

Ela é construída diariamente por pequenas experiências que, juntas, formam nossa história.

Continuar Caminhando

Ao final dessas reflexões, chego à mesma conclusão de sempre.

Ainda há muito caminho pela frente.

Ainda há projetos para construir.

Ainda há pessoas para conhecer.

Ainda há conteúdo para produzir.

Ainda há fé para compartilhar.

Ainda há amor para viver.

E, acima de tudo, ainda há Deus conduzindo cada etapa dessa jornada.

Por isso sigo caminhando.

Nem sempre com todas as respostas.

Nem sempre com toda a força.

Nem sempre sem dúvidas.

Mas com esperança.

Porque enquanto houver vida, haverá possibilidades.

E enquanto houver Deus, haverá sentido.

Que venha mais um ano.

Que venha mais uma etapa.

Que venha mais uma oportunidade de aprender, amar, servir e crescer.

Afinal, a vida continua.

E isso, por si só, já é um grande presente.


sexta-feira, 5 de junho de 2026

​Quando um Sorriso Fica

Hoje aconteceu algo curioso.

Não foi um encontro marcado.

Não foi uma conversa longa.

Não houve troca de telefones, declarações ou promessas.

Foi apenas uma tarde comum.

Ou pelo menos deveria ter sido.

Começou como tantas outras. Fui à academia, cumpri meus 45 minutos de esteira, mantive o ritmo de 4,8 km/h e a inclinação de 0,5%. Nada diferente do habitual. Apenas mais um capítulo da rotina que venho construindo em busca de saúde, disciplina e qualidade de vida.

Ao terminar o treino, passei no mercado do shopping onde fica a academia.

E foi ali que algo aparentemente simples chamou minha atenção.

Um rapaz chamado Gabriel estava trabalhando.

Quando cheguei, ele limpava o chão. As demais pessoas que passavam recebiam apenas uma orientação educada para seguirem normalmente pelo corredor. Nada além disso.

Mas quando nossos olhares se cruzaram, aconteceu algo que ficou gravado na minha memória.

Ele me desejou boa tarde.

Não foi o cumprimento em si.

Foi a forma.

Foi o sorriso.

Foi o olhar.

Foi aquele conjunto de pequenos detalhes que, vistos isoladamente, talvez não significassem nada, mas que juntos acabaram produzindo uma impressão difícil de ignorar.

Respondi o cumprimento.

Confesso que fiquei um pouco sem graça.

Aquele tipo de sem graça que aparece quando somos pegos de surpresa por algo que nos agrada.

Sem pensar muito, respondi ao boa tarde e ainda completei com um pequeno tchauzinho tímido.

Ele sorriu.

Eu sorri.

E seguimos.

Mas a história não terminou ali.

Mais tarde ele me atendeu no caixa.

E foi nesse momento que comecei a prestar atenção ao que realmente estava acontecendo dentro de mim.

Porque a grande questão talvez não seja o que aconteceu.

A grande questão é o que eu senti.

Senti que ele estava especialmente receptivo.

Senti uma abertura maior do que a que havia percebido anteriormente.

Talvez eu esteja errado.

Talvez eu esteja interpretando demais.

Talvez tenha sido apenas a gentileza natural de uma pessoa educada.

Mas a verdade é que foi essa a impressão que tive.

Não uma abertura escancarada.

Não algo evidente.

Não algo que pudesse ser apontado e comprovado.

Era algo muito mais sutil.

Quase tímido.

Quase delicado.

Quase como um convite silencioso para que aquele encontro permanecesse apenas agradável e leve.

Durante o atendimento, nossas mãos se tocaram algumas vezes ao passar os produtos.

Nada de extraordinário.

Nada que justificasse qualquer conclusão.

Mas também não vou fingir que não percebi.

Percebi.

E gostei.

Talvez porque a vida adulta seja estranha.

Passamos anos correndo atrás de metas, trabalho, dinheiro, responsabilidades, compromissos e preocupações.

E, de repente, um simples sorriso tem força suficiente para ocupar nossos pensamentos durante horas.

Talvez porque o coração humano continue procurando aquilo que sempre procurou:

acolhimento.

gentileza.

afeição.

presença.

Eu não sei quase nada sobre Gabriel.

Não conheço sua história.

Não conheço seus sonhos.

Não conheço suas dores.

Não conheço seus amores.

Mas hoje conheci algo sobre mim.

Descobri que ainda sou capaz de me encantar.

Descobri que ainda sou capaz de perceber a beleza de um gesto simples.

Descobri que ainda sou capaz de voltar para casa sorrindo por causa de um encontro que, para qualquer observador externo, pareceria completamente comum.

Talvez não tenha sido nada.

Talvez tenha sido apenas uma tarde qualquer.

Talvez amanhã eu volte ao mercado e tudo aconteça exatamente da mesma forma.

Ou talvez não.

Mas, sinceramente?

Isso nem é o mais importante.

O mais importante é que, em meio a uma rotina cheia de obrigações, planilhas, compromissos, preocupações com a saúde, responsabilidades familiares e tantas outras coisas que ocupam a vida adulta, alguém conseguiu me lembrar de algo muito simples:

Ainda existem sorrisos que ficam.

E hoje, quando cheguei em casa, percebi que aquele sorriso tinha ficado.

Não porque eu saiba o que ele significava.

Mas porque eu sei o que ele despertou em mim.


​A Mente que Protege e o Amor que Permanece.

​ A Mente que Protege e o Amor que Permanece Reflexões de uma noite chuvosa sobre sentimentos, maturidade e os caminhos da vida. Há momentos...