sexta-feira, 17 de julho de 2026

​Ainda Acredito no Amor…

Há dias que passam sem deixar marcas.

E há dias que mudam alguma coisa dentro da gente sem que nada de extraordinário aconteça.

Hoje foi um desses dias.

Acordei às 5h20 da manhã. O Tufão bateu na porta do quarto para pedir que eu abrisse a porta para ele fazer xixi. Coloquei o lixo para fora, preparei o café da manhã da minha mãe, fiz minha pesagem semanal e tive uma alegria que há alguns meses parecia distante: mais 1,2 kg eliminados. Agora são 124,1 kg.

É impressionante como disciplina, foco, exercício físico e a ajuda de pessoas boas, como o meu personal Maurão, conseguem transformar uma caminhada que antes parecia impossível.

Depois vieram as aulas, o corte de cabelo com o Rosaldo — que cuida do meu cabelo há quase vinte anos —, o trabalho como advogado, a preparação dos sermões para a Comunidade Voz & Fé, a natação e a academia.

Foi um dia cheio.

E talvez exatamente por isso eu não imaginasse que o momento mais marcante duraria apenas alguns minutos.

Depois do treino, passei no Carrefour do shopping.

E lá estava o Gabriel.

Meu crush.

Não porque eu conheça profundamente quem ele é. Na verdade, conheço muito pouco da sua vida.

O que conheço é o suficiente para despertar um sentimento bonito: um sorriso sincero, um jeito delicado de tratar as pessoas, uma educação rara e uma serenidade que transmite paz.

Hoje conversamos um pouco.

Nossas mãos se tocaram por alguns instantes enquanto ele passava minhas compras.

Na despedida, desejei um bom fim de semana.

Ele olhou para mim, sorriu e respondeu com a mesma gentileza de sempre.

Pode parecer pouco.

Talvez, para quem lê estas linhas, isso seja apenas um atendimento comum em um supermercado.

Mas o coração nem sempre mede os acontecimentos pelo tamanho deles.

Às vezes, um único sorriso consegue ocupar um dia inteiro.

Saí feliz.

E, curiosamente, também saí triste.

Feliz porque percebi que ainda sou capaz de me encantar por alguém.

Triste porque a vida também nos ensina que nem todo encantamento se transforma em uma história de amor.

Foi então que me dei conta de uma sensação que me acompanha há muitos anos.

Brinco dizendo que tenho a “síndrome do dedo podre”.

É a impressão de que meu coração costuma escolher justamente pessoas que talvez nunca viessem a me escolher.

Não porque sejam pessoas ruins.

Muito pelo contrário.

Mas porque a vida, às vezes, simplesmente segue caminhos diferentes.

Isso dói.

Dói porque eu nunca procurei aventuras.

Nunca procurei relacionamentos descartáveis.

Nunca procurei alguém apenas para preencher um vazio.

O que sempre procurei foi um companheiro.

Alguém para dividir o café da manhã — no meu caso, um copo de água ou uma Pepsi.

Alguém para assistir a um filme no sofá.

Para caminhar de mãos dadas.

Para ir à igreja.

Para enfrentar as dificuldades sem soltar a mão um do outro.

Para envelhecer junto.

Talvez seja um sonho simples.

Mas é exatamente esse sonho que mora dentro do meu coração.

E, curiosamente, o Gabriel me fez lembrar que esse sonho continua vivo.

Não porque exista qualquer promessa entre nós.

Não existe.

Não porque eu saiba o que ele pensa.

Eu não sei.

Nem porque eu espere alguma coisa específica dele.

Também não.

Na verdade, hoje eu compreendi algo importante.

Amar alguém também significa desejar sinceramente que essa pessoa seja feliz.

Mesmo que essa felicidade não aconteça ao nosso lado.

Por isso, se o caminho do Gabriel nunca cruzar o meu de uma forma diferente, tudo bem.

Que Deus cuide dele.

Que ele seja imensamente feliz.

Que encontre pessoas que o amem, o respeitem e façam bem ao seu coração.

E quanto a mim?

Eu continuo fazendo a mesma oração.

Não peço a Deus uma pessoa específica.

Peço apenas que, no tempo certo, Ele coloque em meu caminho alguém que também esteja procurando por mim.

Alguém que queira viver o mesmo amor que eu sonho viver.

Porque existe uma enorme diferença entre gostar de alguém e caminhar ao lado de alguém.

O amor verdadeiro nasce quando dois corações escolhem um ao outro.

Enquanto esse dia não chega, continuo vivendo.

Continuo trabalhando.

Continuo emagrecendo.

Continuo servindo a Deus.

Continuo cuidando da minha mãe.

Continuo cuidando do Tufão.

Continuo acreditando que vale a pena ser fiel aos meus valores, mesmo quando o mundo parece caminhar em outra direção.

E continuo acreditando que o amor ainda existe.

Talvez hoje eu tenha encontrado apenas um sorriso.

Mas, às vezes, um sorriso basta para lembrar que o nosso coração continua vivo.

E enquanto ele continuar vivo, eu me recuso a desistir da esperança.

Porque, no fundo, não estou procurando alguém perfeito.

Estou apenas esperando encontrar alguém que também esteja procurando por mim.


17 de Julho de 2026


quarta-feira, 8 de julho de 2026

​Quando a Saudade Mudou o Roteiro: Entre a Disciplina, a Fé e o Amor que Nunca Morre.



Por Fabio Tadeu


Há dias em que acreditamos ter tudo planejado.


A pauta está pronta, os assuntos organizados, a rotina cumprida, as ideias em ordem. Mas basta uma lembrança surgir silenciosamente para que toda a programação da vida seja reescrita.


Foi exatamente isso que aconteceu comigo neste 8 de julho.


O episódio do podcast começou como tantos outros: falando sobre disciplina, saúde, trabalho e projetos. Terminou, porém, falando sobre amor, memória, saudade e esperança.


E talvez essa seja justamente a beleza da vida.


A disciplina que transforma


Meu dia começou cedo.


Pouco depois das seis da manhã, fui cuidar do Tufão, meu velho companheiro de quatro patas, antes mesmo de preparar o café da manhã de minha mãe.


Depois vieram as tarefas comuns de qualquer filho que divide a vida com uma mãe de 133 anos: ajudá-la, organizar a casa e acompanhá-la à consulta médica para tratar a gonartrose, uma realidade presente na vida de tantos idosos.


Entre um compromisso e outro, encontrei tempo para escrever dois sermões destinados à Comunidade Cristã Voz & Fé, a igreja inclusiva que venho construindo com tanto carinho e convicção.


Mais tarde, vieram a aula de natação pela manhã e os quarenta e cinco minutos de esteira no fim da tarde.


Parece rotina.


E é.


Mas é justamente a rotina que muda destinos.


No início deste ano eu estava próximo dos 150 quilos.


Hoje estou na casa dos 126.


São mais de vinte quilos deixados para trás.


Não foi um milagre instantâneo.


Foi uma coleção de pequenas decisões repetidas diariamente.


Uma esteira de cada vez.


Uma aula de natação de cada vez.


Um pão a menos.


Uma escolha mais consciente.


A transformação raramente acontece em um único dia.


Ela acontece quando um dia comum é repetido centenas de vezes.


Academia não é lugar para procurar amor.


Durante muitos anos pensei diferente.


Como tanta gente, imaginei que talvez o amor pudesse aparecer em qualquer lugar.


Inclusive dentro de uma academia.


Hoje penso exatamente o contrário.


Academia é lugar para cuidar da saúde.


Ponto.


Os músculos envelhecem.


A beleza muda.


O corpo inevitavelmente se transforma.


Quem vive apenas em função da aparência acaba descobrindo, cedo ou tarde, que ela é passageira.


Costumo brincar dizendo que quem gosta exclusivamente de corpo é o médico legista, o coveiro e, como aprendi recentemente com os ouvintes, também o tanatopraxista.


É uma frase provocativa.


Mas ela esconde uma verdade importante.


Nenhum relacionamento sólido permanece apenas porque alguém possui um corpo bonito.


A vida cobra muito mais do que isso.


Cobra caráter.


Lealdade.


Companheirismo.


Respeito.


Fidelidade.


Crescer também é mudar


Nem sempre fui assim.


Houve uma época em que vivi intensamente.


Também tive fases superficiais.


Também procurei felicidade onde ela não existia.


Também me deixei levar por ilusões.


Hoje olho para aquele rapaz mais jovem quase com ternura.


Ele precisava viver tudo aquilo para compreender que o vazio nunca é preenchido por relações descartáveis.


Aprendi que maturidade não significa deixar de sentir.


Significa aprender onde vale a pena investir o próprio coração.


O amor verdadeiro não desaparece


Eu não esperava falar sobre isso no podcast.


Na verdade, sequer havia pensado nesse assunto durante o dia.


Mas basta uma música tocar para que certas portas da memória se abram.


Foi assim que Toshi voltou.


Toshiaki.


O homem com quem eu realmente planejava construir uma vida.


Não era um romance passageiro.


Não era entusiasmo juvenil.


Era projeto.


Era compromisso.


Era futuro.


Falávamos sobre morar juntos.


Sobre envelhecer juntos.


Sobre dividir a vida.


A morte, porém, decidiu escrever outro roteiro.


Existem pessoas que passam pela nossa existência apenas por um período.


Outras permanecem para sempre.


Mesmo depois de partirem.


O significado de um anel


Há muitos anos uso um anel preto com uma discreta faixa dourada.


Pouca gente conhece sua verdadeira história.


O preto representa as perdas inevitáveis da vida.


Todos perderemos pessoas.


Todos enfrentaremos despedidas.


Todos conheceremos o luto em algum momento.


Mas a linha dourada atravessa exatamente o centro do anel.


Ela simboliza aquilo que permanece.


Deus.


O amor.


A esperança.


Mesmo quando tudo parece escuro, existe uma linha dourada sustentando a história.


Talvez seja exatamente isso que a fé represente.


Não a ausência da dor.


Mas a certeza de que a dor nunca terá a última palavra.


O amor continua sendo possível


Muita gente imagina que lembrar de alguém significa permanecer preso ao passado.


Não acredito nisso.


Guardar gratidão não impede novos começos.


Se um dia Deus colocar alguém novamente em meu caminho, saberei retirar aquele anel e entregar meu coração por inteiro outra vez.


Porque amar nunca foi meu problema.


Meu desafio sempre foi encontrar alguém que desejasse viver o mesmo tipo de amor que eu.


Continuo acreditando na fidelidade.


Continuo acreditando em projetos construídos a dois.


Continuo acreditando que vale mais dividir uma vida inteira com uma única pessoa do que colecionar encontros que desaparecem no dia seguinte.


Ainda acredito nisso.


Teimosamente.


A vida mudou o roteiro


Quando comecei a gravar aquele episódio, imaginava falar sobre academia, rotina, emagrecimento, rádio, ministério e trabalho.


No final, tudo mudou.


A saudade assumiu o microfone.


E talvez tenha sido melhor assim.


Porque a vida raramente segue o roteiro que escrevemos.


Ela escreve o próprio texto.


Nós apenas aprendemos a interpretá-lo.


Naquela noite, compreendi novamente que algumas pessoas nunca deixam realmente de caminhar ao nosso lado.


Elas continuam presentes na memória.


Na gratidão.


Nas escolhas.


Na forma como aprendemos a amar.


E talvez seja exatamente por isso que continuo acreditando, apesar de tudo.


Porque, no fim das contas, existe uma frase que resume toda essa história:


Nesta vida, mais vale ter amado e perdido do que nunca ter amado.




Fabio Tadeu

Advogado • Teólogo • Professor • Radialista • Pastor Presidente da Comunidade Cristã Voz & Fé • Fundador da Drops Jurídico


“O amor verdadeiro talvez não elimine a saudade. Mas transforma a saudade em gratidão por tudo aquilo que um dia tivemos a graça de viver.”

terça-feira, 7 de julho de 2026

​Entre 8 Bilhões de Pessoas… Ainda Acredito no Amor!


Há dias que passam despercebidos. Outros deixam pequenas marcas. E existem aqueles que, silenciosamente, nos lembram de quem somos.

O dia 7 de julho de 2026 foi um desses.

Começou cedo, como tantos outros. Acordar para cuidar do Tufão, preparar aulas, ensinar, nadar, trabalhar na rádio, treinar, voltar para casa. Uma rotina comum. Ou, pelo menos, aparentemente comum.

Porque a vida nunca acontece apenas nos compromissos da agenda.

Ela acontece dentro da gente.

Enquanto o relógio marcava horários, outra parte de mim fazia perguntas muito maiores do que qualquer compromisso profissional poderia responder.

Em um mundo com mais de oito bilhões de pessoas, por que tantas vezes insistimos em gastar nossa energia tentando convencer alguém a gostar de nós?

Essa pergunta ficou ecoando durante o dia.

Vivemos uma época curiosa. Nunca foi tão fácil encontrar pessoas e, paradoxalmente, nunca pareceu tão difícil encontrar conexões verdadeiras.

Aplicativos transformaram seres humanos em vitrines.

Relacionamentos, muitas vezes, passaram a ser decididos por poucos segundos de atenção.

Uma fotografia substitui uma conversa.

Um gesto de deslizar o dedo para um lado decide se alguém merece ou não uma oportunidade.

Mas pessoas não são produtos.

Não são um cardápio.

São histórias.

São medos.

São sonhos.

São cicatrizes invisíveis que nenhuma fotografia consegue revelar.

Talvez por isso eu nunca tenha conseguido enxergar o amor dessa maneira.

Sempre acreditei que amar é descobrir o universo inteiro que existe dentro de outra pessoa.

E isso exige tempo.

Exige escuta.

Exige respeito.

Exige presença.

Ao longo do episódio, conversei novamente com o ChatGPT. Não porque uma inteligência artificial possa decidir a minha vida, mas porque, às vezes, organizar pensamentos em voz alta ajuda a organizar também o coração.

Falamos sobre Gabriel.

Aquele sorriso que tantas vezes aparece nas minhas histórias.

Não como uma obsessão.

Muito menos como um destino inevitável.

Mas como alguém que despertou em mim a capacidade de admirar a delicadeza, a educação e a beleza que existe em pequenos gestos.

E talvez seja exatamente isso que mais me chama atenção.

Não um rosto.

Não um corpo.

Mas uma forma de tratar as pessoas.

Vivemos em uma sociedade que valoriza excessivamente a aparência.

Academias lotadas.

Filtros perfeitos.

Corpos impecáveis.

Nada disso é errado.

Mas tudo isso perde o sentido quando não existe um coração disposto a caminhar ao lado do outro.

Sempre digo que academia, para mim, é lugar de cuidar da saúde.

Não de procurar amor.

Quem gosta apenas de corpo talvez encontre felicidade na aparência.

Eu continuo procurando alguém que admire caráter, lealdade, diálogo e fidelidade.

Porque músculos envelhecem.

A beleza muda.

O tempo transforma tudo.

Mas valores permanecem.

Recebi mensagens de ouvintes perguntando se alguém poderia amar um homem de noventa e nove anos.

Sorri.

Porque a pergunta, na verdade, nunca foi sobre idade.

Foi sobre esperança.

A idade é apenas um número.

O que aproxima duas pessoas é a capacidade de compartilhar a mesma direção.

Dois projetos de vida.

Dois corações dispostos a construir.

Dois olhares voltados para o mesmo horizonte.

É isso que procuro.

Não alguém perfeito.

Não alguém jovem.

Não alguém bonito.

Mas alguém que queira caminhar.

Talvez seja justamente por isso que continuo repetindo uma frase que já se tornou parte da minha identidade.

Eu sei bem o que quero viver na minha vida.

Não posso exigir que ninguém queira viver o mesmo que eu.

Isso seria egoísmo.

Mas posso continuar procurando alguém que deseje construir a mesma história.

Enquanto esse encontro não acontece, a vida continua.

Ela continua nas aulas.

Na natação.

Na rádio.

Nas amizades.

Na fé.

Nos ouvintes espalhados por cento e trinta e sete países.

Nas conversas inesperadas.

Nos pequenos sorrisos que tornam um dia comum um pouco mais bonito.

E continua também na certeza de que Deus nunca desperdiça os caminhos de quem escolhe viver com sinceridade.

No final, talvez o amor não seja uma linha de chegada.

Talvez ele seja justamente a maneira como escolhemos caminhar todos os dias.

Entre oito bilhões de pessoas, continuo acreditando que existe alguém que também procura exatamente isso.

Não perfeição.

Não aparência.

Mas companhia.

Companhia para dividir os dias bons.

Força para enfrentar os dias difíceis.

Fé para continuar.

E coragem para envelhecer de mãos dadas.

Se esse encontro acontecer, será maravilhoso.

Se não acontecer, ainda assim a vida terá valido a pena.

Porque amar também é permanecer fiel aos próprios valores.

E isso ninguém pode tirar de nós.


​Ainda Acredito no Amor…

Há dias que passam sem deixar marcas. E há dias que mudam alguma coisa dentro da gente sem que nada de extraordinário aconteça. Hoje foi u...