segunda-feira, 8 de junho de 2026

Inferno Astral, Fé e Esperança: Um Balanço Sincero da Vida.

Inferno Astral, Fé e Esperança: Um Balanço Sincero da Vida.




Há momentos do ano em que inevitavelmente somos levados a olhar para trás.

Não porque queremos viver do passado. Não porque desejamos ficar presos ao que já aconteceu. Mas porque existem períodos em que a vida parece nos convidar a uma pausa, a uma reflexão e a uma avaliação sincera de quem somos, de onde viemos e para onde estamos indo.

Para mim, esse período costuma acontecer nas semanas que antecedem o meu aniversário.

Alguns chamam isso de “inferno astral”. Outros consideram apenas uma coincidência do calendário. Seja qual for o nome, existe algo real nesse processo: a proximidade de mais um ano de vida nos faz pensar.

Pensar nos sonhos realizados.

Pensar nos sonhos que ficaram pelo caminho.

Pensar nas pessoas que chegaram.

Pensar nas pessoas que partiram.

Pensar naquilo que ainda esperamos viver.

Nos últimos dias, enquanto enfrentava uma gripe, cuidava da saúde da minha mãe e acompanhava as dificuldades do meu velho companheiro de quatro patas, o Tufão, percebi mais uma vez como a vida é feita de ciclos.

Existem momentos de força.

Existem momentos de fragilidade.

Existem períodos em que somos cuidados.

E existem períodos em que precisamos cuidar.

Talvez a maturidade seja justamente compreender que ambos fazem parte da mesma caminhada.

A Ilusão da Juventude e a Verdade da Vida

Quando somos mais jovens, frequentemente acreditamos que a felicidade está sempre em algum lugar adiante.

Quando eu tiver aquele emprego.

Quando eu conquistar aquele diploma.

Quando eu ganhar mais dinheiro.

Quando eu encontrar alguém.

Quando eu realizar determinado sonho.

Mas os anos ensinam algo diferente.

Eles mostram que a felicidade não está necessariamente na chegada.

Ela está no caminho.

Hoje, olhando para minha trajetória, vejo um advogado, professor, radialista, teólogo, músico e produtor de conteúdo.

Vejo alguém que construiu muitas coisas.

Vejo alguém que realizou objetivos importantes.

Mas também vejo alguém que continua aprendendo.

Porque a vida não para de ensinar.

A Busca Pelo Amor

Um dos temas que mais apareceu em minhas reflexões recentes foi o amor.

Não o amor idealizado dos filmes.

Não o amor descartável dos aplicativos.

Não o amor instantâneo da cultura atual.

Mas aquele amor que permanece.

O amor que constrói.

O amor que atravessa as dificuldades.

O amor que escolhe permanecer mesmo quando a paixão inicial já não é suficiente para sustentar uma relação.

Vivemos em uma época que valoriza muito o prazer imediato e pouco a permanência.

Talvez por isso tantas pessoas se sintam sozinhas.

Porque sexo pode satisfazer um desejo momentâneo.

Mas somente o amor pode preencher determinados espaços da alma.

Não existe problema em desejar companhia.

Não existe problema em querer alguém para dividir a vida.

O problema surge quando tentamos preencher com relacionamentos superficiais aquilo que, na verdade, exige profundidade.

Ao longo dos anos compreendi algo simples: eu sei o que desejo viver.

Não posso exigir que ninguém queira viver o mesmo.

Mas posso procurar alguém que compartilhe dos mesmos valores.

A Fé Que Acolhe

Outra reflexão importante deste período envolve a espiritualidade.

Vivemos em um mundo onde muitas pessoas utilizam a religião para afastar.

Jesus fez exatamente o contrário.

Ele acolheu.

Ele ouviu.

Ele caminhou junto.

Ele enxergou seres humanos onde outros enxergavam apenas rótulos.

Por isso continuo acreditando que o Evangelho é uma mensagem de amor.

Não de exclusão.

Não de condenação.

Não de rejeição.

Mas de transformação.

De acolhimento.

De encontro.

Acredito que Deus continua chamando pessoas para perto de si.

Não porque sejam perfeitas.

Mas justamente porque são humanas.

E talvez seja essa uma das maiores mensagens que precisamos reaprender em nossos dias.

O Valor das Pequenas Coisas

Talvez uma das maiores descobertas da maturidade seja perceber que a vida não acontece apenas nos grandes momentos.

Ela acontece nos detalhes.

Na conversa com um amigo.

No sorriso inesperado de alguém.

Na missa de domingo.

Na aula dada com dedicação.

Na caminhada da academia.

Na mensagem recebida.

No cachorro que late durante a madrugada porque precisa de ajuda.

Na mãe que precisa de cuidado.

Nos gestos simples que, muitas vezes, passam despercebidos.

A vida não é feita apenas de acontecimentos extraordinários.

Ela é construída diariamente por pequenas experiências que, juntas, formam nossa história.

Continuar Caminhando

Ao final dessas reflexões, chego à mesma conclusão de sempre.

Ainda há muito caminho pela frente.

Ainda há projetos para construir.

Ainda há pessoas para conhecer.

Ainda há conteúdo para produzir.

Ainda há fé para compartilhar.

Ainda há amor para viver.

E, acima de tudo, ainda há Deus conduzindo cada etapa dessa jornada.

Por isso sigo caminhando.

Nem sempre com todas as respostas.

Nem sempre com toda a força.

Nem sempre sem dúvidas.

Mas com esperança.

Porque enquanto houver vida, haverá possibilidades.

E enquanto houver Deus, haverá sentido.

Que venha mais um ano.

Que venha mais uma etapa.

Que venha mais uma oportunidade de aprender, amar, servir e crescer.

Afinal, a vida continua.

E isso, por si só, já é um grande presente.


sexta-feira, 5 de junho de 2026

​Quando um Sorriso Fica

Hoje aconteceu algo curioso.

Não foi um encontro marcado.

Não foi uma conversa longa.

Não houve troca de telefones, declarações ou promessas.

Foi apenas uma tarde comum.

Ou pelo menos deveria ter sido.

Começou como tantas outras. Fui à academia, cumpri meus 45 minutos de esteira, mantive o ritmo de 4,8 km/h e a inclinação de 0,5%. Nada diferente do habitual. Apenas mais um capítulo da rotina que venho construindo em busca de saúde, disciplina e qualidade de vida.

Ao terminar o treino, passei no mercado do shopping onde fica a academia.

E foi ali que algo aparentemente simples chamou minha atenção.

Um rapaz chamado Gabriel estava trabalhando.

Quando cheguei, ele limpava o chão. As demais pessoas que passavam recebiam apenas uma orientação educada para seguirem normalmente pelo corredor. Nada além disso.

Mas quando nossos olhares se cruzaram, aconteceu algo que ficou gravado na minha memória.

Ele me desejou boa tarde.

Não foi o cumprimento em si.

Foi a forma.

Foi o sorriso.

Foi o olhar.

Foi aquele conjunto de pequenos detalhes que, vistos isoladamente, talvez não significassem nada, mas que juntos acabaram produzindo uma impressão difícil de ignorar.

Respondi o cumprimento.

Confesso que fiquei um pouco sem graça.

Aquele tipo de sem graça que aparece quando somos pegos de surpresa por algo que nos agrada.

Sem pensar muito, respondi ao boa tarde e ainda completei com um pequeno tchauzinho tímido.

Ele sorriu.

Eu sorri.

E seguimos.

Mas a história não terminou ali.

Mais tarde ele me atendeu no caixa.

E foi nesse momento que comecei a prestar atenção ao que realmente estava acontecendo dentro de mim.

Porque a grande questão talvez não seja o que aconteceu.

A grande questão é o que eu senti.

Senti que ele estava especialmente receptivo.

Senti uma abertura maior do que a que havia percebido anteriormente.

Talvez eu esteja errado.

Talvez eu esteja interpretando demais.

Talvez tenha sido apenas a gentileza natural de uma pessoa educada.

Mas a verdade é que foi essa a impressão que tive.

Não uma abertura escancarada.

Não algo evidente.

Não algo que pudesse ser apontado e comprovado.

Era algo muito mais sutil.

Quase tímido.

Quase delicado.

Quase como um convite silencioso para que aquele encontro permanecesse apenas agradável e leve.

Durante o atendimento, nossas mãos se tocaram algumas vezes ao passar os produtos.

Nada de extraordinário.

Nada que justificasse qualquer conclusão.

Mas também não vou fingir que não percebi.

Percebi.

E gostei.

Talvez porque a vida adulta seja estranha.

Passamos anos correndo atrás de metas, trabalho, dinheiro, responsabilidades, compromissos e preocupações.

E, de repente, um simples sorriso tem força suficiente para ocupar nossos pensamentos durante horas.

Talvez porque o coração humano continue procurando aquilo que sempre procurou:

acolhimento.

gentileza.

afeição.

presença.

Eu não sei quase nada sobre Gabriel.

Não conheço sua história.

Não conheço seus sonhos.

Não conheço suas dores.

Não conheço seus amores.

Mas hoje conheci algo sobre mim.

Descobri que ainda sou capaz de me encantar.

Descobri que ainda sou capaz de perceber a beleza de um gesto simples.

Descobri que ainda sou capaz de voltar para casa sorrindo por causa de um encontro que, para qualquer observador externo, pareceria completamente comum.

Talvez não tenha sido nada.

Talvez tenha sido apenas uma tarde qualquer.

Talvez amanhã eu volte ao mercado e tudo aconteça exatamente da mesma forma.

Ou talvez não.

Mas, sinceramente?

Isso nem é o mais importante.

O mais importante é que, em meio a uma rotina cheia de obrigações, planilhas, compromissos, preocupações com a saúde, responsabilidades familiares e tantas outras coisas que ocupam a vida adulta, alguém conseguiu me lembrar de algo muito simples:

Ainda existem sorrisos que ficam.

E hoje, quando cheguei em casa, percebi que aquele sorriso tinha ficado.

Não porque eu saiba o que ele significava.

Mas porque eu sei o que ele despertou em mim.


Inferno Astral, Fé e Esperança: Um Balanço Sincero da Vida.

​ Inferno Astral, Fé e Esperança: Um Balanço Sincero da Vida. Há momentos do ano em que inevitavelmente somos levados a olhar para trás. N...