PodCast do Fabio TV

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Quando o foco muda, a vida muda junto.

Quando o foco muda, a vida muda junto. 

25 de setembro de 2026



Há dias em que o cansaço pesa. E há dias em que o cansaço conta uma história.


Nesta sexta-feira, terminei o dia com aquilo que resolvi chamar de “cansaço bonito”. Não o cansaço de quem simplesmente deixou as horas passarem, mas aquele que chega depois de uma semana vivida, trabalhada, estudada e construída.


E talvez seja justamente essa a melhor definição para o episódio de hoje do Podcast do Fábio.


A vida começa cedo — literalmente


Minha sexta-feira começou às 5h38.


Era dia de colocar o lixo para a coleta e, morando em sobrado, isso significa descer, organizar tudo e começar o dia antes mesmo de o restante da rotina despertar.


Depois vieram aquelas pequenas cenas que dificilmente entrariam numa grande biografia, mas que fazem parte da vida real: a máquina de lavar louça, meu tradicional leite com Nesquik de morango e o café da manhã preparado para minha mãe.


São coisas simples.


Mas este podcast nasceu justamente para falar delas.


Não quero contar somente os acontecimentos extraordinários da vida. Quero registrar também aquilo que normalmente passa despercebido.


148 kg. Agora, 121 kg.


Outro assunto importante deste episódio foi meu processo de emagrecimento.


Comecei 2026 pesando aproximadamente 148 kg.


Hoje estou com 121 kg.


São 27 kg eliminados.


E quanto mais avanço nesse processo, mais percebo que emagrecer não pode significar simplesmente perseguir um número na balança.


Houve mudança de hábitos. Há exercícios físicos, academia, natação, esteira e uma preocupação muito maior com minha saúde.


Estou há bastante tempo sem fast-food e aprendendo, principalmente, a olhar para mim de maneira diferente.


Nesta sexta-feira, inclusive, passei pelas minhas duas academias. Fiz meus exercícios aeróbicos pela manhã e, à tarde, fui para a natação.


Ao terminar a aula, fiquei aproximadamente dez minutos simplesmente boiando na piscina.


Sem fazer exercício.


Sem produzir.


Sem resolver problema.


Apenas tentando desligar.


Talvez eu também precise aprender que descansar não significa desperdiçar tempo.


Novos livros, novos caminhos


A sexta-feira também trouxe uma notícia muito especial.


Mais um trabalho meu relacionado à Teologia Anglicana está oficialmente publicado e com ISBN.


Tenho me dedicado bastante à produção teológica, e uma das minhas preocupações atuais é conseguir falar sobre Anglicanismo também para quem não possui formação acadêmica em Teologia.


Existe profundidade teológica sem que necessariamente exista uma linguagem inacessível.


E é justamente essa ponte que quero construir.


Como professor, sempre acreditei que dominar um assunto não significa torná-lo complicado. Muitas vezes, o verdadeiro desafio está justamente em conseguir explicar algo complexo de maneira compreensível sem destruir sua profundidade.


Essa preocupação acompanha também minha caminhada na Teologia.


E o ChatGPT voltou ao podcast…


Como já virou tradição, pelo menos uma vez por semana eu chamo o ChatGPT para conversar comigo durante o podcast.


Não existe roteiro.


E o episódio de hoje provou isso muito bem. 😂


Pedi que ele fizesse uma leitura da minha semana.


Falamos sobre Direito, aulas, produção de materiais, Teologia Anglicana, livros, exercícios, redes sociais e relacionamentos.


E tivemos até uma errata do ChatGPT ao vivo.


Em determinado momento, ele interpretou além da conta um comentário meu sobre uma pessoa da academia.


E eu corrigi.


Porque dizer que alguém é bonito, interessante ou tem presença não significa dizer que exista interesse amoroso.


Uma coisa não obriga a outra.


Talvez essa distinção também revele uma mudança importante que aconteceu comigo nos últimos tempos.


Do “crushismo” ao despertar afetivo


Quem acompanha minhas conversas há algum tempo provavelmente se lembra do Gabrielzinho.


Durante alguns meses, falei bastante sobre ele.


Houve encontros casuais, pequenos acontecimentos, expectativas e até uma playlist chamada “Para meu Crush Gabriel”, dividida em sete capítulos.


Hoje consigo olhar para tudo aquilo por outra perspectiva.


Passei a chamar essa experiência de “despertar afetivo”.


Porque, independentemente de qualquer relacionamento ter surgido daquela história, alguma coisa aconteceu dentro de mim.


Eu percebi que ainda consigo me encantar.


Ainda consigo gostar.


Ainda consigo olhar para alguém e imaginar possibilidades.


E isso, por si só, teve importância.


Só que existe uma diferença enorme entre sentir alguma coisa por alguém e existir reciprocidade.


Com o tempo, acendi aquilo que chamei de “luz amarela”.


Não para transformar ninguém em vilão. Não houve briga, rompimento ou qualquer coisa semelhante.


Simplesmente compreendi que não fazia sentido continuar colocando tanta energia emocional em uma possibilidade que não estava concretamente estabelecida.


E então o foco mudou.


Quando o foco muda…


Talvez essa seja uma das maiores mudanças que percebo atualmente.


Não deixei de acreditar no amor.


Muito pelo contrário.


Continuo querendo encontrar alguém com quem possa compartilhar a vida, o cotidiano, o carinho, a fidelidade, a companhia e todas aquelas pequenas coisas que, para mim, dão significado a uma relação.


Mas não preciso transformar toda atração em uma possibilidade amorosa.


Posso achar alguém bonito e continuar minha vida.


Posso admirar alguém sem criar uma história.


Posso gostar sem exigir que o outro goste.


E posso desejar uma relação sem aceitar qualquer relação apenas para não estar sozinho.


Há uma frase que repito há bastante tempo e que continua resumindo muito daquilo em que acredito:


Eu sei o que quero viver. Não posso exigir que ninguém queira viver a mesma coisa que eu. Mas posso procurar alguém que queira.


E sigo procurando.


Teimosamente.


Só que talvez agora com menos pressa de escolher quem ocupará o papel de “crush”.


Primeiro, cuidar de mim


Existe ainda outra dimensão dessa mudança.


Meu processo de emagrecimento também acabou dialogando com minha vida afetiva.


Não porque eu precise atingir determinado peso para merecer amor.


Mas porque percebi que cuidar da minha saúde também é uma maneira de cuidar de mim.


Se quero construir uma vida com alguém, preciso primeiro assumir responsabilidade pela vida que já tenho.


E amor-próprio, para mim, não significa olhar para o espelho e declarar que tudo está perfeito.


Pode significar justamente reconhecer aquilo que precisa mudar e decidir cuidar.


Talvez seja isso que esteja acontecendo.


O cansaço bonito


Cheguei ao fim desta sexta-feira cansado.


Muito cansado.


Mas satisfeito.


Trabalhei. Dei aula. Atendi alunos. Fiz exercícios. Nadei. Escrevi. Produzi. Vi novos projetos ganhando forma. Conversei. Refleti.


E terminei o dia aqui.


Falando com vocês.


É o tal cansaço bonito.


Aquele que não diz apenas “estou exausto”.


Ele também diz:


“Valeu a pena.”


E talvez seja essa a reflexão que quero deixar registrada neste 25 de setembro de 2026:


quando o foco muda, a vida muda junto.


Não precisamos apagar aquilo que passou para seguir adiante.


Podemos agradecer pelas pessoas que despertaram alguma coisa em nós, aprender com aquilo que não aconteceu, cuidar melhor daquilo que temos hoje e continuar caminhando.


A vida não precisa estar completamente resolvida para fazer sentido.


Talvez ela nunca esteja.


E está tudo bem.


Porque enquanto houver caminho, haverá alguma coisa para aprender, alguma coisa para mudar, alguma coisa para agradecer e, quem sabe, alguém para encontrar.


🙏 Que Deus nos conceda sabedoria para compreender aquilo que precisa permanecer, coragem para modificar aquilo que precisa mudar e serenidade para continuar caminhando.


Obrigado a todos que acompanham o Podcast do Fábio e este blog.


Obrigado por lerem, ouvirem, comentarem, compartilharem e, principalmente, por fazerem parte desta história.


Amanhã tem mais vida.


E, se Deus assim permitir, estaremos aqui novamente.


Podcast do Fabio — a vida real como ela é.



quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Eu já vivi um grande amor: agora, escolho a reciprocidade.

Eu já vivi um grande amor. Agora, só quero reciprocidade


Entre memórias, rotina, fé, relacionamentos e novos projetos, o episódio desta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, parte de uma constatação simples: gostar é importante, mas reciprocidade é fundamental.


Há momentos em que a vida nos obriga a reorganizar não apenas a agenda, mas também os sentimentos. O episódio de hoje do Podcast do Fábio — o podcast da vida real nasceu exatamente dessa mistura.


Depois de uma quarta-feira corrida, que terminou com uma aula de Direito convocada de última hora, voltei ao microfone nesta quinta-feira para conversar sobre rotina, trabalho, saúde, passado, presente e, inevitavelmente, amor.


E talvez uma frase resuma boa parte dessa conversa:


Eu já vivi um grande amor. Agora, só quero reciprocidade.


Gostar não significa parar a vida


Durante algum tempo, falei bastante sobre crushes e sobre aquela sensação gostosa de achar alguém especial. Isso continua existindo. O que mudou foi a maneira de olhar para tudo isso.


Uma pessoa pode ser bonita, interessante e despertar sentimentos sem que, por isso, precise se transformar no centro do nosso universo.


Gostar sozinho pode alimentar um crush. Para construir alguma coisa, porém, é necessário que exista movimento dos dois lados.


Essa percepção não significa deixar de acreditar no amor. Pelo contrário. Talvez signifique acreditar nele de maneira mais consciente.


Eu sei o que quero viver. Não posso exigir que outra pessoa queira exatamente aquilo que eu quero, mas posso continuar procurando alguém que deseje caminhar na mesma direção.


E não há necessidade de pressa.


Quando uma lembrança ensina sobre o presente


Como esta quinta-feira também é dia de TBT no podcast, inevitavelmente algumas lembranças apareceram.


Falar de amor me leva a recordar Toshi, meu eterno japa.


Foi uma experiência que marcou profundamente minha maneira de compreender um relacionamento. Havia carinho, confiança, individualidade e, ao mesmo tempo, aquela vontade genuína de estar um com o outro.


Não era necessário vigiar. Não era necessário controlar. Existia confiança.


O passado não precisa ser uma prisão. Algumas histórias podem se transformar em referência daquilo que aprendemos sobre nós mesmos.


Ter vivido um grande amor não significa passar o restante da vida tentando reproduzi-lo. Significa saber que determinada forma de amar existe — porque um dia ela foi realidade.


E a vida segue aberta ao novo.


Sexo pode ser consequência, não fundamento


O episódio também passa por uma questão sobre a qual sempre fui bastante claro: relacionamento, para mim, não começa pela sexualização da outra pessoa.


Isso não significa estabelecer regras sobre quando duas pessoas podem ou não ter intimidade.


Pode existir química logo no primeiro encontro. Pode acontecer rapidamente ou demorar. Cada história terá seu próprio tempo.


A diferença está no lugar que isso ocupa.


Para mim, sexo pode ser consequência da química, do desejo e da conexão entre duas pessoas. Não precisa ser a razão pela qual elas começaram a se conhecer.


Antes de um corpo existe uma pessoa.


Existem sentimentos, história, desejos, medos, sonhos e expectativas.


O peso de dizer “eu te amo”


Outra reflexão deste episódio nasceu de três palavras aparentemente simples:


Eu te amo.


Para mim, elas carregam um peso enorme.


Existem diferentes maneiras de compreender e expressar afeto, evidentemente. Há quem diga “eu te amo” aos amigos com enorme naturalidade. Eu respeito.


Na minha maneira particular de viver os sentimentos, porém, essa expressão permanece reservada a vínculos muito profundos.


Talvez justamente porque considero o amor algo tão importante, não consigo tratar a expressão como uma despedida automática.


Não significa gostar menos dos amigos, colegas, alunos ou pessoas que caminham conosco. Significa apenas reconhecer que existem diferentes formas de afeto — e eu escolhi preservar um significado muito particular para o amor.


Vida real também é rotina


Nem só de sentimentos vive o episódio.


A quinta-feira começou cedo, passou pela natação, por uma consulta médica de rotina, pelo trabalho e pelo cardio na academia.


A saúde continua sendo acompanhada e a mudança física também segue seu curso. Comecei 2026 com aproximadamente 148 quilos e cheguei à última pesagem na casa dos 121.


Não existe milagre nessa história. Existe acompanhamento, mudança de hábitos, atividade física e constância.


Amanhã é novamente dia de pesagem.


A vida real é justamente isso: enquanto pensamos sobre amor, também precisamos trabalhar, cuidar da saúde, estudar, resolver compromissos e, no meu caso, acordar cedo para colocar o lixo para fora.


Um novo livro chega ao mundo


E esta quinta-feira também trouxe uma notícia muito especial.


📚 “Teologia Anglicana”, meu novo livro, foi lançado em 24 de setembro de 2026.


É mais um trabalho que nasce da minha caminhada acadêmica e teológica e do aprofundamento dos meus estudos sobre o anglicanismo.


E a sequência continua.


Um novo trabalho, desta vez pensado especialmente para quem deseja conhecer o anglicanismo de maneira mais acessível, também está chegando.


São projetos diferentes, mas unidos pelo mesmo desejo: estudar, ensinar e compartilhar conhecimento.


Depois de tantos anos ensinando Direito, escrever e ensinar Teologia representa também uma nova dimensão da minha trajetória.


A vida segue


Talvez seja justamente essa a mensagem que atravessa todo o episódio.


Algumas pessoas chegam. Algumas vão embora. Algumas deixam lembranças para uma vida inteira.


Há amores que terminam, projetos que começam, planos que mudam e sonhos que permanecem.


Não precisamos transformar uma possibilidade em destino antes que ela se torne realidade.


Hoje prefiro viver.


Se o amor aparecer, que encontre alguém disposto a amar. Se houver reciprocidade, que a história seja construída pelos dois. Se não houver, que cada um siga seu caminho em paz.


Porque ter amado um dia não significa viver preso ao passado.


Pode significar exatamente o contrário:


saber que o amor existe e continuar aberto à possibilidade de encontrá-lo novamente.


🎙️ Podcast do Fábio — o podcast da vida real


🌐 www.podcastdofabiotv.com.br


Episódio de 24 de setembro de 2026


#PodcastDoFabio #PodcastDaVidaReal #Amor #Reciprocidade #Relacionamentos #TBT #VidaReal #Reflexão #Recomeços #TeologiaAnglicana #Anglicanismo #Teologia #LivroNovo

domingo, 13 de setembro de 2026

​🎶❤️ PARA MEU CRUSH GABRIEL — UMA HISTÓRIA EM SETE CAPÍTULOS.

🎶❤️ PARA MEU CRUSH GABRIEL — UMA HISTÓRIA EM SETE CAPÍTULOS


Organizei essa playlist como quem conta uma história: o encontro, o encanto, as dúvidas e o sonho de um amor que, quem sabe, um dia possa ser vivido a dois. 🥰

✨ 1. EU TE VI, E ALGO MUDOU
Músicas 1 a 6 — de “À Primeira Vista” a “Blue Jeans”.
O momento de conhecer o Gabrielzinho, reparar no jeitinho dele e perceber aquela vontade de vê-lo novamente. O começo da paixão.

💭 2. O QUE ESTÁ ACONTECENDO COMIGO?
Músicas 7 a 12 — de “Eu Sei” a “Ilusão”.
Ele vai ficando nos pensamentos. Vêm a vontade de estar perto, a falta e as perguntas que o coração faz: será que ele percebe? Será que existe alguma possibilidade?

🌈 3. É BONITO SENTIR ESSE AMOR
Músicas 13 a 15 — de “Toda Forma de Amor” a “Bellissimo così”.
Reconhecer a beleza desse sentimento e me permitir sentir, gostar e ter esperança.

💌 4. SE VOCÊ QUISER, EU ESTOU AQUI
Músicas 16 a 19 — de “Se Quiser” a “Te Amo”.
O carinho começa a procurar palavras. É o convite para uma aproximação, com delicadeza e espaço para que o outro também possa escolher.

🌙 5. EU SONHO COM NÓS DOIS
Músicas 20 a 25 — de “Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim” a “A Lenda”.
Os encontros que imagino, o abraço que gostaria de dar, as mãos dadas e os momentos que seria tão bonito compartilhar.

🏡 6. E SE A GENTE CONSTRUÍSSE UMA VIDA JUNTOS?
Músicas 26 a 30 — de “Domingo de Manhã” a “Marry You”.
O sonho ganha cotidiano: companhia, carinho, fidelidade e vontade de atravessar a vida ao lado de alguém que também queira ficar.

❤️ 7. TENHO UM AMOR GUARDADO PARA OFERECER
Músicas 31 a 33 — de “Imortal” a “Pra Você Guardei O Amor”.
A dedicatória final. O sentimento encontra seu lugar nas músicas e deixa aberta a esperança de, um dia, encontrar reciprocidade na vida.

Essa playlist conta o que o Gabrielzinho despertou em mim e dá voz ao que eu sonho viver. Cada música guarda um pedacinho desse carinho. 🎶❤️


🎧 Quer ouvir essa história em forma de música?

Conheça a playlist “Para meu crush Gabriel” no Spotify. Ouça na ordem para acompanhar cada um desses sete capítulos, do primeiro olhar ao amor guardado para oferecer. 🎶❤️

👉 https://open.spotify.com/playlist/3XUYIJ6w6is8d7ALScpxP4


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

ENTRE A VIDA REAL, O CANSAÇO E O AMOR QUE PRECISA SER RECÍPROCO.

​Eu sei o que quero viver — mas o amor precisa de dois!




26 de agosto de 2026


Há dias em que a vida parece não trazer nenhum grande acontecimento. A gente acorda, trabalha, resolve problemas, cumpre compromissos, come, conversa, volta para casa e dorme.


Mas talvez seja justamente nesses dias aparentemente comuns que algumas das reflexões mais importantes aconteçam.


Esta quarta-feira começou para mim às 5h45 da manhã.


Eu havia ido dormir por volta de 1h45. Portanto, se alguém me perguntar se dormi o suficiente, a resposta é bastante óbvia: não!


Mas segunda, quarta e sexta são dias de colocar o lixo para fora aqui em casa. E lá fui eu.


Essa também é a vida.


Aliás, é por isso que chamo o Podcast do Fábio de “o podcast da vida real”.


A vida real não é feita somente das grandes viagens, das festas, dos encontros inesquecíveis e das fotografias bonitas que publicamos nas redes sociais.


A vida real também é acordar cedo para colocar o lixo na rua.


É preparar o café da manhã.


É cuidar de quem amamos.


É trabalhar cansado.


É receber uma intimação e descobrir que existe uma sentença judicial esperando uma manifestação.


É sentar diante do computador, ler, estudar, pensar, escrever e protocolar uma petição.


Sou advogado e professor de Direito há 19 anos. No próximo ano serão duas décadas ensinando Direito. E, apesar de tantos anos de profissão, cada processo continua sendo uma responsabilidade concreta, porque por trás daqueles números existem pessoas e interesses que alguém confiou ao nosso trabalho.


Foi assim que uma parte da minha madrugada e da minha manhã se transformou em advocacia.


Depois veio a natação.


E nadar também se tornou parte dessa nova fase da minha vida.


O corpo que tenho e a vida que estou construindo


Tenho 1,98 metro. Atualmente estou com aproximadamente 122 quilos e venho de um peso que chegou aos 148.


São cerca de 26 quilos eliminados ao longo de um processo de mudança, acompanhamento, alimentação e cuidados.


E, curiosamente, falar sobre academia e natação fez surgir entre os ouvintes uma quantidade enorme de perguntas sobre corpo, aparência e até sobre como me comporto no vestiário.


Algumas são tão inusitadas que acabam entrando no podcast.


Mas existe uma resposta que serve para praticamente todas elas:


eu sou quem eu sou.


Meu corpo não precisa ser perfeito para que eu tenha o direito de existir confortavelmente dentro dele.


Posso querer emagrecer. Posso cuidar da alimentação. Posso fazer exercícios. Posso buscar uma condição física melhor.


Nada disso significa que eu precise odiar o homem que vejo hoje no espelho.


Talvez uma das liberdades que a maturidade proporciona seja justamente esta: compreender que não precisamos agradar a todos.


Algumas pessoas vão gostar de nós.


Outras não.


E tudo bem.


Também não gostamos de todas as pessoas que encontramos.


Por que, então, deveríamos esperar unanimidade em relação a nós?


O problema começa quando entregamos ao olhar do outro a responsabilidade de definir o nosso próprio valor.


E no meio da rotina aparece o amor


Depois da advocacia, da natação, da gravação de uma aula de Legislação Penal Especial, dos compromissos profissionais e de uma ida ao mercado com minha mãe, o dia poderia simplesmente terminar.


Mas quem acompanha o Podcast do Fábio sabe que, em algum momento, o assunto acaba chegando aos sentimentos.


Talvez porque eu seja sentimental.


Talvez porque goste de falar sobre aquilo que vivemos e nem sempre conseguimos explicar.


E uma conversa dos últimos dias me fez enxergar uma diferença que parece óbvia depois que alguém aponta, mas que nem sempre conseguimos perceber quando estamos vivendo a situação por dentro.


Gostar sozinho é crush. Amor precisa de dois.


Parece uma frase pequena.


Mas há muita coisa dentro dela.


Crush e amor não são a mesma coisa


Eu posso olhar para alguém e achá-lo bonito.


Posso admirar o jeito daquela pessoa.


Posso gostar da maneira como fala, como sorri, como olha.


Posso esperar encontrar aquela pessoa novamente.


Posso sentir aquele friozinho diferente quando ela aparece.


Posso até imaginar como seria se alguma coisa acontecesse entre nós.


Tudo isso é legítimo.


O sentimento é meu.


O problema surge quando começamos a transformar aquilo que sentimos numa história que ainda não aconteceu.


Porque existe uma diferença enorme entre:


“Eu gostaria de viver isso com você.”


e


“Nós estamos vivendo isso.”


Na primeira frase existe um desejo.


Na segunda existe uma relação.


E para passar de uma para a outra é indispensável algo chamado reciprocidade.


Ninguém pode amar pelos dois


Essa talvez seja uma das verdades mais difíceis para quem sente intensamente.


Não podemos escolher pelo outro.


Não podemos desejar pelo outro.


Não podemos decidir pelo outro.


E, principalmente, não podemos construir sozinhos uma relação que deveria ser construída por duas pessoas.


Isso não torna o nosso sentimento menos verdadeiro.


Posso gostar verdadeiramente de alguém que não gosta de mim da mesma maneira.


Meu sentimento não se torna falso por isso.


Mas ele também não cria automaticamente uma obrigação no outro.


Essa distinção é fundamental.


Porque amar também é reconhecer a liberdade de quem está diante de nós.


E talvez seja exatamente aí que o amor se diferencie da posse.


Eu quero que alguém esteja comigo porque quer estar comigo.


Não porque foi pressionado.


Não porque se sentiu culpado.


Não porque recebeu uma expectativa tão grande que acabou se sentindo responsável pela minha felicidade.


Quero alguém que possa olhar para mim e dizer livremente:


“Eu escolho você.”


Porque eu também quero poder olhar para essa pessoa e dizer exatamente a mesma coisa.


Eu ainda acredito em compromisso


Vivemos numa época em que parece quase antiquado dizer que queremos compromisso.


Pois eu quero.


Não tenho vergonha nenhuma disso.


Quero amar e ser amado.


Quero fidelidade.


Quero carinho.


Quero companheirismo.


Quero alguém que tenha orgulho de dizer que está comigo, assim como quero ter orgulho de dizer que estou com essa pessoa.


Quero poder colocar uma aliança no meu dedo e outra no dedo de alguém sabendo que aquele pequeno símbolo representa uma escolha feita pelos dois.


Isso não significa prisão.


Não significa eliminar amigos.


Não significa deixar de ter individualidade.


Significa simplesmente dizer:


“Entre tantas possibilidades, nós escolhemos construir alguma coisa juntos.”


Para mim, existe algo profundamente bonito nisso.


As pessoas que passaram por nossa vida também nos construíram


Ao falar sobre relacionamentos no episódio, acabei lembrando de pessoas que fizeram parte da minha história.


Algumas relações deram certo por algum tempo.


Outras terminaram.


Algumas deixaram boas lembranças.


Outras trouxeram aprendizados dolorosos.


E algumas pessoas já nem estão mais neste mundo.


Mas nossa história afetiva também é feita dessas camadas.


Não somos hoje exatamente as mesmas pessoas que fomos aos 20, 30 ou 40 anos.


E, ao mesmo tempo, existe alguma coisa daquele jovem dentro de nós.


Foi por isso que encerrei o episódio lembrando de “Scatola”, de Laura Pausini.


Existe algo muito bonito na ideia de olhar para quem fomos e perceber que aquela pessoa e a pessoa que somos hoje continuam fazendo parte da mesma história.


Eu mudei.


Graças a Deus.


Amadureci.


Errei.


Acertei.


Mudei de opinião.


Aprendi coisas.


Desaprendi outras.


Conheci pessoas.


Perdi pessoas.


Amei.


Fui amado.


Sofri.


Recomecei.


E continuo aqui.


Amadurecer não é deixar de sonhar


Talvez esta seja a principal reflexão que quero guardar desta quarta-feira.


Durante muito tempo, confundimos amadurecimento com desistência.


Como se tornar-se adulto significasse parar de acreditar.


Não acredito nisso.


Amadurecer não significa abandonar o sonho.


Significa aprender a realidade necessária para construí-lo.


Eu continuo acreditando no amor.


Continuo acreditando que posso encontrar alguém.


Continuo acreditando numa relação de carinho, desejo, amizade, companheirismo e fidelidade.


Continuo acreditando numa vida a dois.


Mas estou aprendendo cada vez mais que não basta encontrar alguém que eu queira.


Preciso encontrar alguém que também me queira.


E essa pequena palavra — “também” — muda tudo.


A fé continua acima de tudo


No final, porém, existe algo que permanece acima dessas expectativas.


Minha fé.


Posso fazer planos.


Posso desejar.


Posso procurar.


Posso sonhar.


Mas não controlo todas as circunstâncias da vida.


Por isso sigo entregando meus dias a Deus.


Agradeço pelo trabalho.


Agradeço pela minha mãe.


Agradeço pelas pessoas que me acompanham.


Agradeço por quem manda uma mensagem e, às vezes sem perceber, me obriga a enxergar determinada situação por um ângulo que eu ainda não havia considerado.


Agradeço pelo que chegou.


Pelo que permaneceu.


E até pelo que precisou partir.


Porque a vida continua.


Amanhã haverá trabalho novamente.


Haverá responsabilidades.


Talvez haja natação.


Haverá gente mandando perguntas absurdas para o podcast.


Certamente haverá alguma coisa para resolver.


E quem sabe, em algum lugar desse caminho, também exista alguém caminhando na direção contrária até que nossas estradas finalmente se encontrem.


Não sei.


Mas continuo acreditando.


E termino com a frase que tenho repetido e que, cada vez mais, resume aquilo que penso sobre a vida e sobre o amor:


Eu sei bem o que quero viver na minha vida. Não posso exigir que ninguém queira viver o mesmo que eu, mas posso, sim, procurar alguém que queira viver o mesmo que eu.


Não quero qualquer história apenas para dizer que tenho alguém.


Quero encontro.


Quero escolha.


Quero reciprocidade.


Quero verdade.


E, enquanto não acontece, continuo vivendo.


Trabalhando.


Aprendendo.


Rindo.


Errando.


Acertando.


Rezando.


Esperando.


E teimosamente…


continuo procurando.


⸻


🎙️ Podcast do Fábio — o podcast da vida real

🌐 www.podcastdofabiotv.com.br  


Porque a vida não acontece somente nos grandes acontecimentos. Às vezes, entre uma manhã de trabalho, uma piscina, uma ida ao mercado e uma conversa ao microfone, a gente descobre alguma coisa nova sobre nós mesmos.



sábado, 22 de agosto de 2026

Será Que Ele Gosta de Mim? O Encontro Que Me Deixou Sem Resposta ❤️

21 de agosto de 2026

Há dias em que a gente termina com respostas.

E há dias em que a melhor definição possível é simplesmente:

Eu não sei.

Esta sexta-feira, 21 de agosto de 2026, terminou exatamente assim para mim.

Eu não sei.

Não sei se estou percebendo alguma coisa que realmente existe ou se estou enxergando aquilo que gostaria que existisse. Não sei se determinados gestos significam alguma coisa ou absolutamente nada. Não sei se estou diante do começo de uma possibilidade ou simplesmente vivendo mais um daqueles pequenos encontros que ganham uma dimensão enorme porque acontecem justamente com alguém de quem gostamos.

Mas talvez eu esteja começando a entender uma coisa:

a vida não entrega respostas na mesma velocidade em que o coração faz perguntas.

E hoje meu coração fez algumas.

Muitas, na verdade.

Um dia que começou às 6h05

Meu dia começou cedo.

Às 6h05 da manhã eu já estava acordado porque sexta-feira é dia de colocar o lixo para fora aqui na minha rua.

Desci e fui cumprir a missão, acompanhado pouco depois pelo Tufão, meu Labrador, que resolveu participar do início do dia.

Moro em sobrado e, graças aos meus 1,98 m de altura, colocar o lixo para fora acaba sendo uma tarefa relativamente simples: levanto o saco por cima do portão e consigo deixá-lo do lado de fora.

Resolvido isso, voltei para dentro e comecei a preparar o café da manhã.

Ou melhor, o desjejum, porque café mesmo eu não tomo.

Preparei um copo de leite com Nesquik de morango e comi um pão de queijo em formato de waffle feito na airfryer.

Pode parecer uma bobagem, mas aquele sabor me trouxe uma lembrança gostosa da infância.

Eu adoro morango. E algumas coisas têm esse poder curioso de nos transportar por alguns segundos para outra época da vida.

Também preparei o café da minha mãe, como faço habitualmente, para que estivesse tudo pronto quando ela descesse mais tarde.

Mas sexta-feira também é outro dia importante para mim.

Dia de pesagem.

E tive uma notícia muito boa: em relação à sexta-feira anterior, perdi mais 1,2 kg.

É mais um pequeno passo em um processo que exige constância. Não existe mágica. Existe continuar.

E eu continuo.

Mais de trinta anos cortando o cabelo no mesmo lugar

Logo cedo também fui cortar o cabelo.

Meu barbeiro, o Sr. Rosaldo, cuida do meu cabelo há mais de trinta anos.

Isso mesmo: mais de três décadas.

Ele abre muito cedo e, por volta das 7h15, eu já estava lá.

Há alguma coisa bonita nessas permanências da vida.

O mundo muda, nós mudamos, pessoas chegam e vão embora, tecnologias aparecem, profissões se transformam, nossa própria maneira de enxergar a vida muda completamente…

E algumas pessoas continuam fazendo parte da paisagem.

Sr. Rosaldo é uma delas.

Cabelo cortado, voltei para casa porque às 8h30 começaria outra parte bastante conhecida da minha rotina.

Professor Fabio entra em cena

Das 8h30 às 10h ministrei uma aula de Direito online diretamente do meu escritório.

Depois de tantos anos dando aula, continuo gostando dessa troca.

Ser professor faz parte daquilo que sou.

Terminada a aula, entretanto, era hora de trocar computador, legislação e Direito pela piscina.

Fui para aquela que costumo chamar de Academia nº 1, onde faço natação.

Minha aula começava às 11h10. Cheguei um pouco antes, fiz minha aula normalmente e, por volta do meio-dia, já estava me arrumando para voltar para casa.

E voltei andando.

Uma das coisas boas de morar nesta região é justamente conseguir resolver muita coisa a pé.

Cheguei em casa e voltei ao trabalho.

Preparei material de Direito Administrativo voltado para concursos de tribunais e, depois, ajudei minha mãe com o almoço.

Não fiz nenhuma façanha gastronômica, evidentemente. Minha participação foi muito mais modesta: coloquei a carne para esquentar na airfryer.

Cada um ajuda com os talentos que Deus lhe concedeu. [risos]

Depois do almoço, passei na Drops Jurídicos, minha rádio, para resolver algumas burocracias e assinar documentos relacionados à inclusão da emissora em novos aplicativos de rádio pela internet.

Resolvido isso, voltei para casa, troquei de roupa e fui para a Academia nº 2.

E foi ali que começou uma parte curiosa deste dia.

Na academia, ninguém me interessava

Fui fazer meus exercícios aeróbicos e cardiovasculares.

Meu personal, Maurão, está em recesso e volta no começo de setembro, então sigo fazendo meus cardios enquanto aguardo o retorno dele.

E enquanto estava ali percebi uma coisa de maneira muito clara:

não me interessava absolutamente ninguém naquele lugar.

Ninguém.

Não estava procurando alguém.

Não estava interessado em saber quem estava olhando para mim.

Não queria descobrir se havia algum homem bonito por perto.

Não estava procurando paquera, possibilidade, romance, aventura ou absolutamente nada.

Em determinado momento meu pensamento foi quase:

“Quero que todo mundo se exploda.”

Claro que é uma maneira bem-humorada de falar.

Mas a verdade por trás da brincadeira é simples: eu estava completamente indiferente a qualquer possibilidade afetiva naquele ambiente.

Tenho falado bastante ultimamente sobre atração, desejo, carência e amor.

E talvez aquela tarde tenha me mostrado de maneira muito concreta que essas coisas realmente não são iguais.

É possível estar em um lugar cheio de pessoas e não desejar conhecer nenhuma delas.

Eu estava exatamente assim.

Queria terminar meu exercício e ir embora.

A operação para não encontrar ninguém na saída

Minha meta naquele dia era fazer 40 minutos de esteira.

E fiz.

Só que resolvi permanecer alguns minutos além do planejado por uma razão bastante peculiar: não queria sair exatamente durante a troca de horário da academia.

Preferia esperar o movimento diminuir e depois ir embora tranquilamente, sem precisar cruzar com ninguém.

Transformei aquilo numa espécie de “momento bônus”.

Só que a própria esteira aparentemente discordou do meu planejamento e resolveu parar justamente durante o bônus.

Paciência.

A missão principal estava cumprida.

Na saída, tive apenas o desprazer de encontrar o Vitor na recepção.

Não tenho afinidade com ele. Meu santo simplesmente não bate com o dele.

E quando o vi pensei, brincando comigo mesmo:

“Pronto. Vi o Vitor. Agora vem merda.”

Não veio.

Ou talvez tenha vindo apenas uma quantidade enorme de pensamentos algumas horas depois.

Saí da Academia nº 2 por volta das 18h05.

E fui ao Carrefour.

“Seja o que Deus quiser”

Antes de entrar, pensei:

Seja o que Deus quiser.

Eu precisava comprar algumas coisas para casa.

Mas existe um pequeno detalhe que quem acompanha meus relatos já conhece.

Gabriel trabalha naquele Carrefour.

Gabrielzinho.

Entrei.

E ele estava lá.

No caixa.

E aqui acontece uma coisa que, olhando retrospectivamente para o meu dia, me chama muito a atenção.

Eu acabara de passar bastante tempo dentro da Academia nº 2 completamente indiferente às pessoas ao meu redor.

Não queria conhecer ninguém.

Não queria encontrar ninguém.

Não estava interessado em ninguém.

Então entro no Carrefour, vejo uma pessoa específica…

E tudo muda.

“Boa tarde!”

Gabriel me viu.

Sorriu.

E disse:

“Boa tarde!”

Pronto.

Talvez para quem esteja lendo isso pareça absolutamente nada.

E objetivamente talvez seja mesmo apenas um cumprimento.

Mas quando gostamos de alguém, certas coisas muito pequenas adquirem outra dimensão.

Em determinado momento, Gabriel estava mexendo em um celular.

Então ele fez questão de me explicar:

“Ó, tô mexendo, mas é da empresa. É do iFood.”

Confesso que aquilo me deixou pensando.

Por que ele sentiu necessidade de me explicar?

Não sei.

E essa será uma expressão recorrente neste texto:

não sei.

Depois ele perguntou:

“Como estamos? Tudo bem?”

Eu respondi:

“Tudo bem, obrigado. E você?”

Ele disse que estava tudo bem.

Conversamos um pouco sobre as sacolas.

Ele sorriu.

E…

Foi isso.

Não houve cena de cinema

Nenhuma orquestra começou a tocar no Carrefour.

Não surgiram pétalas de rosas caindo do teto.

Gabriel não parou o atendimento para fazer uma declaração de amor.

Nossas mãos praticamente nem se tocaram naquele dia. Talvez tenha acontecido apenas aquela encostadinha de dedos absolutamente circunstancial.

Não aconteceu nenhuma cena cinematográfica.

Foi apenas um encontro.

Um encontro bom.

E eu saí de lá muito feliz.

Porque, meu Deus…

Gabriel é fofo demais.

Existe uma delicadeza nele que me encanta.

O sorriso, a maneira de falar, o jeito…

Saí feliz por tê-lo encontrado.

Ganhei meu final de sexta-feira.

Talvez até meu fim de semana.

Mas aconteceu algo estranho.

Enquanto uma parte de mim estava muito feliz, outra começou a fazer perguntas.

Será que ele gosta de mim?

Essa é a pergunta.

E eu não tenho a resposta.

Será que Gabriel gosta de mim?

Quando digo “gosta”, não estou falando simplesmente de simpatia.

Gabriel parece ser simpático comigo.

Ele conversa comigo.

Sorri.

Pergunta como estou.

Já me reconhece.

A questão que realmente me interessa é outra:

Existe alguma coisa além disso?

Será que existe nele algum interesse semelhante àquilo que existe em mim?

Ou será que estou interpretando como possibilidade aquilo que é apenas educação, simpatia e o jeito naturalmente gentil dele?

Eu não sei.

E não vou fingir que sei.

O perigo de transformar cada gesto em prova

Talvez gostar de alguém coloque nossa cabeça numa posição bastante perigosa.

Começamos a querer interpretar tudo.

Ele sorriu.

O que significa?

Perguntou como estou.

Por quê?

Explicou que estava usando o celular da empresa.

Por que sentiu necessidade de explicar?

Outro dia nossas mãos se tocaram.

Será que significou alguma coisa?

Hoje praticamente não se tocaram.

Será que isso significa alguma coisa?

E talvez a resposta mais sensata seja:

não necessariamente.

Um toque pode ser acidental.

A ausência de um toque também pode não significar absolutamente nada.

Um sorriso pode significar interesse.

Mas também pode significar carinho, simpatia, educação ou simplesmente que aquela pessoa gosta de conversar conosco.

Uma conversa pode significar muita coisa.

Ou pode ser simplesmente…

uma conversa.

E percebi que talvez eu esteja querendo que pequenos acontecimentos respondam uma pergunta grande demais para eles.

Há perguntas que um sorriso não consegue responder.

Há perguntas que um toque de mãos não consegue responder.

Há perguntas que somente o tempo — e talvez um dia a própria pessoa — poderá responder.

E então veio uma pergunta ainda pior

Saí do Carrefour perguntando se Gabriel gosta de mim.

Mas, no caminho de volta, apareceu uma pergunta muito mais dolorida:

Será que eu erro sempre?

Essa me atingiu.

Será que eu sempre escolho alguém que não vai me escolher?

Será que novamente estou enxergando uma possibilidade que existe somente dentro de mim?

Será que mais uma vez vou gostar de alguém para depois descobrir que aquilo nunca poderia ser recíproco?

É curioso perceber como nossa história afetiva entra conosco em cada nova possibilidade.

Às vezes uma pessoa que acabou de chegar à nossa vida acaba, involuntariamente, sendo julgada por acontecimentos que pertencem a outras pessoas.

E isso não é justo.

Nem conosco.

Nem com ela.

Gabriel não me rejeitou

Foi então que percebi algo extremamente importante.

Gabriel não me rejeitou.

Nada ruim aconteceu naquele Carrefour.

Absolutamente nada.

Pelo contrário.

Ele me cumprimentou, conversou comigo, perguntou como eu estava, explicou o que estava fazendo, sorriu.

Tivemos uma interação agradável.

Portanto, por que minha cabeça já estava tentando imaginar rejeição?

Porque o medo às vezes tenta escrever o final de uma história que ainda nem começou.

E eu não quero fazer isso comigo.

Também não quero fazer isso com Gabriel.

Não tenho o direito de transformar a simpatia dele numa declaração de amor que ele nunca fez.

Seria criar um personagem e atribuir sentimentos a uma pessoa real.

Mas existe o outro extremo.

Também não tenho o direito de transformar a ausência de uma declaração de amor em uma rejeição que ele igualmente nunca fez.

E talvez esta seja a conclusão mais honesta possível:

Eu simplesmente não sei.

Mas existe uma coisa que eu sei

Depois de tantas perguntas, existe pelo menos uma resposta.

Eu sei o que acontece comigo.

Na academia, não me interessava ninguém.

Podiam existir homens bonitos, interessantes ou seja lá o que for.

Eu queria terminar meus exercícios e ir embora.

Então cheguei ao Carrefour.

Encontrei uma pessoa específica.

Ouvi um simples “boa tarde”.

Vi aquele sorriso.

E fiquei feliz.

Portanto, talvez eu não saiba o que Gabriel sente.

Mas eu sei que existe alguma coisa nele que me encanta.

E isso é meu.

Não preciso atribuir nada a ele para reconhecer aquilo que acontece dentro de mim.

Eu gostaria de conhecer Gabriel

E aqui está talvez a parte mais importante.

Eu não quero conhecer apenas “o rapaz fofo do caixa do Carrefour”.

Quero dizer: se algum dia houver abertura e interesse recíproco, eu gostaria de conhecer Gabriel.

A pessoa real.

Queria saber quem ele é quando não está atrás daquele caixa.

O que pensa.

Do que gosta.

Quais são seus sonhos.

Quais são seus defeitos.

Suas manias.

O que o faz rir.

O que o irrita.

O que deseja para a própria vida.

Porque existe uma enorme diferença entre gostar da imagem que construímos de alguém e amar uma pessoa.

Para amar verdadeiramente é necessário conhecer.

E eu ainda conheço muito pouco sobre ele.

Talvez eu esteja apenas diante da porta de uma possibilidade.

E nem sei se essa porta algum dia será aberta.

Eu não quero simplesmente “alguém”

Aquele contraste entre a Academia nº 2 e o Carrefour também me fez perceber outra coisa.

Eu não quero simplesmente alguém.

Se minha necessidade fosse apenas encontrar um homem, provavelmente bastaria olhar ao redor.

Não é isso.

Eu quero uma coisa muito mais rara:

reciprocidade.

Quero escolher alguém que também escolha estar comigo.

Não quero alguém que permaneça ao meu lado porque precisa de mim.

Não quero dependência disfarçada de amor.

Quero liberdade.

Quero duas pessoas que poderiam ir embora, mas que, tendo liberdade para isso, continuam escolhendo permanecer.

Quero poder olhar para alguém e dizer:

“Eu quero você. Eu escolho você.”

E quero ouvir essa pessoa dizer a mesma coisa para mim.

Não uma vez.

Mas continuamente.

Porque, para mim, talvez seja justamente isso que transforme relacionamento em amor vivido:

escolher e ser escolhido.

Talvez seja por isso que a incerteza doa

Quando você não procura simplesmente companhia, mas reciprocidade, a pergunta “será que ele gosta de mim?” ganha um peso muito maior.

Não estou procurando apenas alguém que aceite estar comigo.

Quero alguém que queira estar comigo.

E talvez por isso eu deseje tanto descobrir se existe alguma coisa do outro lado.

Mas querer uma resposta não faz com que ela exista antes da hora.

Então preciso aprender a conviver com isso.

Entre a pergunta e a resposta

Talvez amadurecer afetivamente seja também aprender a suportar o espaço que existe entre a pergunta e a resposta.

Sem pressionar o outro.

Sem inventar sinais.

Sem desistir antecipadamente.

Sem transformar esperança em certeza.

E sem transformar medo em rejeição.

Eu sei muito bem o que quero viver.

Mas não posso exigir que ninguém queira viver a mesma coisa comigo.

Nem Gabriel.

Nem qualquer outra pessoa.

O que posso fazer é continuar procurando alguém que queira.

Alguém que me escolha enquanto eu também o escolho.

E se Gabriel não for essa pessoa?

Pode acontecer.

Talvez um dia eu descubra que não existe absolutamente nenhum interesse romântico da parte dele.

Talvez descubra que existe.

Talvez nem tenhamos oportunidade de descobrir.

A vida pode seguir por caminhos completamente diferentes daqueles que imaginamos.

Mas existe algo que hoje consigo dizer:

se um dia eu descobrir que Gabriel não é essa pessoa, isso não transformará aquilo que senti em erro.

Vai doer?

Provavelmente.

Somos humanos.

Mas sentir alguma coisa verdadeira por alguém não é fracassar.

Fracasso seria permitir que o medo de uma possível rejeição me convencesse de que nunca mais vale a pena sentir.

E Gabriel, independentemente do que essa história venha ou não a ser, já me lembrou de uma coisa muito importante:

eu ainda posso gostar de alguém.

Meu coração ainda consegue se encantar.

Ainda consigo olhar para alguém e ter vontade de conhecê-lo.

E isso, por si só, já significa alguma coisa para mim.

Então, Gabriel gosta de mim?

Chegamos novamente à pergunta do começo.

Gabriel gosta de mim?

Não sei.

Estou errado por gostar dele?

Não.

E entre essas duas respostas existe uma história que ainda está sendo escrita.

Talvez não dê em nada.

Talvez dê em alguma coisa.

Talvez daqui a algum tempo eu releia este texto e dê risada de todas essas perguntas.

Talvez eu o releia com saudade.

Talvez descubra que estava enxergando coisas que não existiam.

Ou talvez descubra que alguma coisa estava começando enquanto nenhum de nós sabia exatamente como nomeá-la.

Eu não sei.

E, pela primeira vez em muito tempo, talvez eu precise aceitar que não saber também faz parte da história.

Por enquanto, fico com aquele sorriso no caixa do Carrefour.

Fico com o “boa tarde”.

Fico com o “como estamos? tudo bem?”.

Fico com a explicação inesperada sobre o celular do iFood.

Fico com uma conversa sobre sacolas que, para qualquer outra pessoa, provavelmente não significaria absolutamente nada.

E fico principalmente com a tranquilidade de reconhecer aquilo que realmente posso afirmar sem inventar sentimentos de ninguém:

eu gostaria de conhecer melhor o Gabriel.

O resto não depende apenas de mim.

E talvez seja exatamente aí que esteja a beleza — e também o medo — de gostar de alguém.

Porque amar nunca poderá ser uma decisão unilateral.

Eu posso escolher.

Mas para existir aquilo que verdadeiramente procuro, alguém também precisará olhar para mim, livremente, e escolher.

Até lá, não vou escrever o final antes da hora.

A vida continua.

E o próximo capítulo…

nem eu sei qual será. ❤️


Quando o foco muda, a vida muda junto.

Quando o foco muda, a vida muda junto.  25 de setembro de 2026 Há dias em que o cansaço pesa. E há dias em que o cansaço conta uma história....