EU ACORDEI: cansei de correr atrás de quem nunca veio e finalmente comecei a me escolher.

Na noite de 16 de abril de 2026, em São Paulo, depois de um tempo sem publicar, eu voltei ao meu podcast. Voltei num outono quente demais para a época. E talvez isso combinasse exatamente com o que estava dentro de mim: uma mistura de cansaço, lucidez, fé, raiva, paz e despertar.
Voltei a gravar direto dos aparelhos que eu não usava havia um tempo. Mas, no fundo, não era só uma volta técnica. Era uma volta mais profunda. Eu estava voltando para mim.
E foi justamente ali, entre uma fala e outra, entre uma lembrança e outra, entre uma irritação e outra, que eu percebi com mais clareza uma verdade que agora não dá mais para fingir que eu não sei:
eu cansei de correr atrás de quem nunca veio.
O maior despertar não foi sobre os outros. Foi sobre mim.
Durante muito tempo, eu vivi olhando demais para fora.
Para quem aparecia.
Para quem sorria.
Para quem eu imaginava.
Para quem eu idealizava.
Para quem talvez pudesse, quem sabe, um dia, significar alguma coisa.
Só que existe uma hora em que a gente cansa.
E quando esse cansaço vem de verdade, ele não destrói. Ele revela.
Foi isso que aconteceu comigo.
Eu comecei a me enxergar antes de enxergar qualquer outra pessoa.
Comecei a perceber que eu não precisava da validação de ninguém para continuar sendo quem eu sou.
Comecei a entender que meus valores não podem mais ficar abaixo das minhas carências.
E isso muda tudo.
Porque, depois que a gente acorda para si mesmo, a gente para de aceitar qualquer idiotice, qualquer migalha emocional, qualquer presença vazia, qualquer imbecilidade vestida de oportunidade.
Crush sem reciprocidade é perda de tempo
Talvez uma das coisas mais sinceras que eu tenha entendido nos últimos dias seja esta: eu romantizei demais quem nunca fez por merecer.
É duro dizer isso? É.
Mas é libertador também.
Durante muito tempo, dei nome de crush para gente que era só distante.
Gente que era só bonita.
Gente que era só projeção.
Gente que era só imaginação minha.
Hoje não.
Hoje eu entendo que crush sem atitude não vale nada.
Olhar por olhar não constrói história.
Silêncio não constrói vínculo.
Reciprocidade não pode existir só de um lado.
Achar alguém bonito é normal.
Transformar isso em fantasia permanente, sem retorno, é castigo.
E eu não quero mais me castigar.
Eu sei o que eu quero viver
Esse episódio foi também um retorno para dizer, com todas as letras, quem eu sou e o que eu quero.
Eu sou advogado.
Sou professor de Direito.
Sou teólogo.
Sou radialista.
Sou fundador da Comunidade Cristã Voz e Fé.
Sou um homem que vive, trabalha, cria, luta, sente, pensa e acredita.
E acredito, acima de tudo, que Deus é maior do que qualquer preconceito pequeno travestido de opinião religiosa.
Foi justamente por isso que criei uma comunidade inclusiva.
Não para levantar bandeira vazia.
Mas para afirmar uma verdade simples e necessária: todo mundo merece dignidade, acolhimento e respeito.
Não apenas uma parte.
Não apenas quem se encaixa no padrão.
Não apenas quem não incomoda.
Todo mundo.
Há preconceitos que não gritam. Mas ferem do mesmo jeito.
Uma parte desse episódio nasceu da irritação.
Daquelas irritações que parecem pequenas para quem está de fora, mas que, para quem vive, pesam demais.
Dois dias ouvindo falas atravessadas.
Dois dias escutando opinião sem ser pedida.
Dois dias lidando com sugestões de vida amorosa que eu não solicitei.
Dois dias ouvindo, mais uma vez, ideias antigas e preconceituosas disfarçadas de conselho.
É impressionante como ainda existe gente que acha que pode decidir o rumo afetivo do outro.
Como ainda existe gente que cita Deus para justificar limite que é humano, raso e cruel.
Como ainda existe gente que trata a sexualidade alheia como um problema a ser resolvido.
E eu digo com tranquilidade: não é.
Sou bissexual.
Não tenho nada a esconder.
Não devo explicação sobre isso a ninguém.
E não aceito mais que ninguém trate isso como assunto de tribunal moral.
Porque minha vida não é debate alheio.
Minha dignidade não está em votação.
Aprendi a me defender
Também falei no episódio sobre experiências dolorosas de preconceito velado, especialmente em ambientes em que as pessoas acham que podem brincar com aquilo que machuca o outro.
Eu ouvi.
Eu percebi.
Eu anotei.
Eu reagi.
E, sim, aprendi uma coisa essencial: me defender é uma forma de amor-próprio.
Não me tornei advogado à toa.
Também me tornei advogado para não aceitar o absurdo como se fosse normal.
Para não chamar humilhação de brincadeira.
Para não aceitar comentário nojento como se fosse “só um jeito de falar”.
Tem hora em que a paz não vem do silêncio.
Vem do posicionamento.
O podcast continua sendo meu espelho
Quem acompanha meu trabalho sabe: eu não faço isso só para os outros. Eu faço isso, antes de tudo, para mim.
Eu sou o primeiro a me escutar.
O primeiro a revisitar o que vivi.
O primeiro a perceber onde doeu, onde eu exagerei, onde eu idealizei, onde eu insisti demais.
O podcast sempre foi esse lugar de espelho.
Agora, mais do que nunca.
Foi por isso, inclusive, que no episódio eu trouxe o ChatGPT para a conversa, quase como um organizador das ideias que eu mesmo vinha amadurecendo. E o ponto central foi claro: eu estou mais lúcido, mais centrado, mais consciente do meu valor.
Não porque virei frio.
Mas porque estou tentando ser justo comigo mesmo.
Eu não quero qualquer coisa
Hoje eu sei com muito mais clareza aquilo que eu não quero.
Não quero putaria vazia.
Não quero curiosidade superficial.
Não quero migalha emocional.
Não quero gente sem coragem.
Não quero investir energia onde não há volta.
Eu quero paz.
Quero verdade.
Quero reciprocidade.
Quero amor.
Quero alguém que queira viver aquilo que eu também quero viver.
E se não vier?
Eu sigo.
Porque talvez a minha grande virada tenha sido justamente essa: entender que o amor que eu procuro não pode me fazer perder o amor que eu devo a mim mesmo.
No fim, a maior resposta foi esta
Se eu tivesse que resumir esse episódio em uma única frase, seria esta:
eu acordei.
Acordei para mim.
Acordei para os meus limites.
Acordei para os meus valores.
Acordei para o fato de que nem todo encanto merece espaço no coração.
Acordei para o fato de que idealizar é fácil, mas viver algo real exige dois lados.
Acordei para o fato de que Deus não me chamou para viver migalha.
E, depois que a gente acorda, não dá mais para voltar a dormir dentro da própria ilusão.
Hoje eu sei:
tem gente bonita que não vale a espera.
tem silêncio que responde mais do que mil palavras.
tem ausência que precisa ser aceita como resposta final.
e tem momentos em que parar de correr atrás dos outros é exatamente o que salva a nossa dignidade.
Foi isso que eu entendi.
E foi por isso que eu voltei.
🎙️ Ouça o episódio completo:
https://taggo.one/podcastdofabio
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