
Há dias que passam sem deixar marcas.
E há dias que mudam alguma coisa dentro da gente sem que nada de extraordinário aconteça.
Hoje foi um desses dias.
Acordei às 5h20 da manhã. O Tufão bateu na porta do quarto para pedir que eu abrisse a porta para ele fazer xixi. Coloquei o lixo para fora, preparei o café da manhã da minha mãe, fiz minha pesagem semanal e tive uma alegria que há alguns meses parecia distante: mais 1,2 kg eliminados. Agora são 124,1 kg.
É impressionante como disciplina, foco, exercício físico e a ajuda de pessoas boas, como o meu personal Maurão, conseguem transformar uma caminhada que antes parecia impossível.
Depois vieram as aulas, o corte de cabelo com o Rosaldo — que cuida do meu cabelo há quase vinte anos —, o trabalho como advogado, a preparação dos sermões para a Comunidade Voz & Fé, a natação e a academia.
Foi um dia cheio.
E talvez exatamente por isso eu não imaginasse que o momento mais marcante duraria apenas alguns minutos.
Depois do treino, passei no Carrefour do shopping.
E lá estava o Gabriel.
Meu crush.
Não porque eu conheça profundamente quem ele é. Na verdade, conheço muito pouco da sua vida.
O que conheço é o suficiente para despertar um sentimento bonito: um sorriso sincero, um jeito delicado de tratar as pessoas, uma educação rara e uma serenidade que transmite paz.
Hoje conversamos um pouco.
Nossas mãos se tocaram por alguns instantes enquanto ele passava minhas compras.
Na despedida, desejei um bom fim de semana.
Ele olhou para mim, sorriu e respondeu com a mesma gentileza de sempre.
Pode parecer pouco.
Talvez, para quem lê estas linhas, isso seja apenas um atendimento comum em um supermercado.
Mas o coração nem sempre mede os acontecimentos pelo tamanho deles.
Às vezes, um único sorriso consegue ocupar um dia inteiro.
Saí feliz.
E, curiosamente, também saí triste.
Feliz porque percebi que ainda sou capaz de me encantar por alguém.
Triste porque a vida também nos ensina que nem todo encantamento se transforma em uma história de amor.
Foi então que me dei conta de uma sensação que me acompanha há muitos anos.
Brinco dizendo que tenho a “síndrome do dedo podre”.
É a impressão de que meu coração costuma escolher justamente pessoas que talvez nunca viessem a me escolher.
Não porque sejam pessoas ruins.
Muito pelo contrário.
Mas porque a vida, às vezes, simplesmente segue caminhos diferentes.
Isso dói.
Dói porque eu nunca procurei aventuras.
Nunca procurei relacionamentos descartáveis.
Nunca procurei alguém apenas para preencher um vazio.
O que sempre procurei foi um companheiro.
Alguém para dividir o café da manhã — no meu caso, um copo de água ou uma Pepsi.
Alguém para assistir a um filme no sofá.
Para caminhar de mãos dadas.
Para ir à igreja.
Para enfrentar as dificuldades sem soltar a mão um do outro.
Para envelhecer junto.
Talvez seja um sonho simples.
Mas é exatamente esse sonho que mora dentro do meu coração.
E, curiosamente, o Gabriel me fez lembrar que esse sonho continua vivo.
Não porque exista qualquer promessa entre nós.
Não existe.
Não porque eu saiba o que ele pensa.
Eu não sei.
Nem porque eu espere alguma coisa específica dele.
Também não.
Na verdade, hoje eu compreendi algo importante.
Amar alguém também significa desejar sinceramente que essa pessoa seja feliz.
Mesmo que essa felicidade não aconteça ao nosso lado.
Por isso, se o caminho do Gabriel nunca cruzar o meu de uma forma diferente, tudo bem.
Que Deus cuide dele.
Que ele seja imensamente feliz.
Que encontre pessoas que o amem, o respeitem e façam bem ao seu coração.
E quanto a mim?
Eu continuo fazendo a mesma oração.
Não peço a Deus uma pessoa específica.
Peço apenas que, no tempo certo, Ele coloque em meu caminho alguém que também esteja procurando por mim.
Alguém que queira viver o mesmo amor que eu sonho viver.
Porque existe uma enorme diferença entre gostar de alguém e caminhar ao lado de alguém.
O amor verdadeiro nasce quando dois corações escolhem um ao outro.
Enquanto esse dia não chega, continuo vivendo.
Continuo trabalhando.
Continuo emagrecendo.
Continuo servindo a Deus.
Continuo cuidando da minha mãe.
Continuo cuidando do Tufão.
Continuo acreditando que vale a pena ser fiel aos meus valores, mesmo quando o mundo parece caminhar em outra direção.
E continuo acreditando que o amor ainda existe.
Talvez hoje eu tenha encontrado apenas um sorriso.
Mas, às vezes, um sorriso basta para lembrar que o nosso coração continua vivo.
E enquanto ele continuar vivo, eu me recuso a desistir da esperança.
Porque, no fundo, não estou procurando alguém perfeito.
Estou apenas esperando encontrar alguém que também esteja procurando por mim.
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