quinta-feira, 7 de maio de 2026

Depois de Tantas Pancadas, Eu Só Quero Paz.

Eu Não Procuro Corpo. Procuro Algo Que Permaneça.


Hoje eu percebi uma coisa curiosa.


Às vezes, uma frase simples dita num podcast reverbera mais do que deveria.


Ou talvez reverbere exatamente porque foi verdadeira.


Depois do episódio em que falei sobre o Agnaldo — o meu eterno crush do pet shop — eu recebi muitas mensagens. Muitas mesmo.


Mensagens bonitas.

Mensagens emocionadas.

Mensagens sinceras.


Mas também mensagens que me fizeram perceber como as pessoas ainda confundem afeto com sexualização.


Como se falar de carinho fosse automaticamente um convite.

Como se dizer que alguém marcou a nossa vida significasse necessariamente desejo físico.

Como se o mundo tivesse desaprendido a enxergar sentimentos sem transformar tudo em corpo.


E talvez tenha desaprendido mesmo.


Por isso eu senti necessidade de escrever este texto.


Pra deixar algo muito claro:

eu não procuro corpo.


Eu procuro algo que permaneça.


Pode parecer estranho ouvir isso vindo de alguém que já viveu relacionamentos, já sofreu, já se decepcionou e já passou por tanta coisa emocionalmente confusa.


Mas talvez justamente por isso eu pense assim hoje.


A vida bate.


E bate forte.


Com o tempo, a gente começa a perceber que certas experiências deixam um vazio enorme.


E eu já vivi esse vazio.


Já vivi relações que começaram rápido demais.

Já coloquei sentimento onde não deveria.

Já confundi atenção com amor.

Já transformei carência em esperança.

Já me entreguei mais do que me entregaram.


E talvez o maior problema do canceriano seja exatamente esse:

sentir antes da hora.


Criar futuro onde ainda não existe presente.


Eu fui assim durante muito tempo.


Hoje não mais.


Hoje continuo sentimental, mas muito mais racional.

Muito mais cuidadoso.

Muito mais consciente daquilo que quero viver.


E o mais curioso é perceber que justamente o homem que mais marcou minha vida… foi alguém com quem eu nunca tive nada.


Nada físico.

Nada íntimo.

Nada sexual.


O Agnaldo nunca foi meu namorado.

Nunca me beijou.

Nunca me tocou.


Mas mexeu comigo de uma forma que poucas pessoas conseguiram.


Talvez porque existisse respeito.

Talvez porque existisse verdade.

Talvez porque existisse algo raro hoje em dia:

olhar.


Não sei explicar.


Só sei que algumas pessoas deixam marcas sem precisar tocar na gente.


E talvez seja por isso que eu tenha chamado ele de “eterno crush”.


Porque certas pessoas não viram relacionamento.

Viram memória.


E memória, às vezes, permanece mais do que muita relação que aconteceu de verdade.


Hoje eu entendo melhor aquilo que eu quero viver.


Não quero promiscuidade.

Não quero coleção de corpos.

Não quero viver em função de sexo.

Não quero mensagens vazias.

Não quero conversas que começam e terminam apenas no desejo físico.


Sexo pode acontecer?

Claro que pode.


Mas sexo nunca foi a prioridade da minha vida.


Nunca foi.


O que eu sempre procurei foi presença.


Alguém que fique.


Alguém que permaneça quando o encanto passar.

Quando a beleza mudar.

Quando o corpo envelhecer.

Quando a rotina chegar.

Quando a vida apertar.


Porque é muito fácil desejar alguém por alguns minutos.

Difícil é escolher permanecer.


E talvez por isso eu esteja tão cansado emocionalmente de certas coisas.


Eu olho muito mais para caráter do que para aparência.

Muito mais para sentimento do que para corpo.

Muito mais para reciprocidade do que para estética.


E olha que eu sei muito bem como o mundo funciona.


Principalmente dentro do meio GLS.


Existe muita cobrança estética.

Muito julgamento silencioso.

Muito descarte emocional.

Muita gente procurando perfeição física enquanto vive um vazio gigantesco por dentro.


E eu digo isso sem julgamento.


Cada um vive como quer.


Mas eu também tenho o direito de querer algo diferente.


Querer fidelidade.

Querer paz.

Querer reciprocidade.

Querer verdade.

Querer um amor tranquilo.


Talvez eu seja antiquado.

Talvez eu seja sentimental demais.

Talvez eu ainda acredite em coisas que o mundo moderno acha ridículas.


Mas tudo bem.


Eu continuo acreditando.


Inclusive minha fé me ajuda muito nisso.


Eu acredito profundamente num Deus que acolhe.

Num Deus que ama.

Num Deus que não exclui.

Num Deus que não transforma pessoas em erro.


E talvez seja exatamente por isso que eu tenha criado a Voz & Fé.


Porque eu acredito que ninguém deveria viver espiritualidade baseada em medo, vergonha ou rejeição.


Nós somos criaturas feitas por um Deus que é amor.


E se fomos criados pelo amor…

então não fomos feitos para viver vazios.


Entre uma aula e outra.

Entre academia, natação, missas, gravações, alunos, consultas médicas, rotina, preocupações e responsabilidades…

eu sigo tentando entender a vida.


Sigo tentando entender sentimentos.

Sigo tentando entender por que algumas pessoas passam tão rápido…

e outras permanecem pra sempre dentro da gente.


Talvez eu nunca descubra.


Talvez ninguém descubra.


Mas uma coisa eu sei:

não quero mais viver relações vazias.


Não quero mais transformar solidão em qualquer companhia.


Prefiro esperar.

Prefiro ter paz.

Prefiro continuar sozinho do que viver algo que me destrua emocionalmente outra vez.


E talvez essa tenha sido a maior lição que o tempo me ensinou.


O tempo ensina.


Às vezes ensina doendo.


Mas ensina.


E hoje, depois de tantas pancadas emocionais, eu finalmente consigo dizer isso sem medo:


Eu não procuro corpo.


Eu procuro algo que permaneça.



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