quinta-feira, 7 de maio de 2026

Eu Não Procuro Corpo. Procuro Algo Que Permaneça.

# Eu Não Procuro Corpo. Procuro Algo Que Permaneça.


Existem episódios que nascem como conversa.


E existem episódios que acabam virando confissão.


O episódio de hoje do Podcast do Fabio talvez tenha sido exatamente isso:

uma confissão aberta, humana, vulnerável e profundamente real.


Daquelas que não cabem apenas em áudio.

Precisam virar texto.

Precisam virar memória.

Precisam existir também escritas.


Porque algumas dores não passam.

Algumas marcas não desaparecem.

E alguns sentimentos… continuam ecoando dentro da gente mesmo quando o mundo inteiro segue andando.


Tudo começou de maneira simples.


Uma frase.


Uma frase dita quase sem pretensão:

o comentário sobre o “eterno crush” — Agnaldo, do pet shop.


E foi aí que algo curioso aconteceu.


As mensagens começaram a chegar.


Muitas mensagens.


Mais do que o esperado.


Mais do que o imaginado.


Mais do que talvez devesse acontecer por causa de uma simples frase dita em um podcast.


E talvez esteja exatamente aí uma das coisas mais assustadoras — e mais bonitas — da comunicação verdadeira:

quando alguém fala com sinceridade, as pessoas percebem.


Mesmo quando a pessoa está tentando apenas conversar.


Talvez porque hoje em dia exista pouca verdade.

Pouca transparência.

Pouca vulnerabilidade.

Pouca coragem de falar de sentimentos sem transformar tudo em espetáculo ou vulgarização.


E foi justamente isso que o episódio inteiro tentou deixar claro:

nem todo afeto é sexual.

Nem todo crush é convite.

Nem todo carinho é putaria.

Nem todo desejo nasce da carne.


Existe gente que ainda procura presença.

Existe gente que ainda procura reciprocidade.

Existe gente que ainda sonha com fidelidade, cuidado, respeito e permanência.


E talvez isso soe antiquado em um mundo que desaprendeu a permanecer.


O episódio inteiro gira em torno dessa ideia.


A necessidade de colocar limites.

Limites emocionais.

Limites afetivos.

Limites até mesmo nas mensagens recebidas.


Porque existe um momento da vida em que a pessoa percebe que não quer mais viver de superficialidade.


Não quer mais colecionar corpos.

Não quer mais alimentar conversas vazias.

Não quer mais transformar carência em falsa conexão.


E talvez uma das frases mais fortes do episódio seja justamente essa:


“Eu não procuro corpo. Eu procuro algo que permaneça.”


Isso resume quase tudo.


Resume as decepções.

Resume os relacionamentos passados.

Resume os erros.

Resume a maturidade.

Resume as pancadas que a vida deu.


E talvez resuma também o que muita gente sente… mas não consegue verbalizar.


Ao longo do episódio, aparecem os nomes de pessoas que passaram pela vida do apresentador:

Rodrigo.

Pedro.

Yuri.

Ivan.

Outros tantos.

Alguns viraram aprendizado.

Outros viraram trauma.

Outros viraram apenas memória.


E existe também o Agnaldo.


O “eterno crush”.


Curioso perceber que justamente o relacionamento que nunca aconteceu acabou se tornando o mais marcante.


Talvez porque algumas pessoas entram na nossa vida não para viver uma história completa…

mas para despertar algo dentro da gente.


Agnaldo parece ocupar exatamente esse lugar.


Não houve beijo.

Não houve sexo.

Não houve relacionamento.


Mas houve olhar.


Houve respeito.


Houve sentimento.


E às vezes isso basta para deixar marcas eternas.


Talvez seja exatamente por isso que o episódio emociona.


Porque ele não fala sobre conquistas.

Ele fala sobre ausências.


Não fala sobre posse.

Fala sobre memória.


Não fala sobre sexo.

Fala sobre conexão.


E isso faz muita diferença.


O episódio também toca num ponto delicado:

a maneira como o meio GLBT/GLS frequentemente é reduzido apenas à sexualização.


E aqui existe um detalhe importante:

não há condenação das escolhas alheias.


Existe apenas um posicionamento pessoal.


A afirmação clara de alguém que já viveu experiências, já se decepcionou, já tentou encaixar-se em lugares onde não cabia… e hoje entende melhor aquilo que realmente deseja viver.


O texto do episódio deixa claro:

cada pessoa tem direito de viver como quiser.


Mas ele também reivindica outro direito:

o direito de procurar algo diferente.


Algo mais sério.

Mais estável.

Mais verdadeiro.

Mais afetivo.

Mais inteiro.


E talvez uma das partes mais fortes seja quando ele fala sobre relacionamentos abertos.


Não como julgamento.

Mas como experiência vivida.


Existe uma honestidade muito brutal nisso.


A percepção de que certas escolhas simplesmente não funcionam para algumas pessoas.


E tudo bem.


Nem toda liberdade emocional significa felicidade emocional.


Às vezes a pessoa percebe tarde demais que abriu a relação…

mas fechou o próprio coração.


Outro ponto extremamente humano do episódio é a maneira como ele mistura sentimentos profundos com a rotina mais comum do mundo.


Entre reflexões sobre amor, aparecem:

academia.

natação.

médico.

missa.

aulas.

concursos públicos.

a mãe indo ao médico.

os exames.

o treino com Mauro.

a igreja.

o ministério de música.


E talvez seja exatamente isso que torna tudo tão verdadeiro.


A vida real nunca acontece em câmera lenta.


A gente sofre…

e depois precisa ir trabalhar.


A gente sente falta…

e depois precisa resolver exames médicos.


A gente lembra de alguém…

e depois precisa ministrar aula.


A vida não para porque o coração está confuso.


E talvez por isso o episódio tenha tanta força.


Porque ele é absurdamente humano.


Também existe um ponto muito importante:

a fé.


O episódio reafirma várias vezes a visão de um Deus que acolhe.

Que ama.

Que não exclui.

Que não castiga pessoas por existirem.


E isso conversa diretamente com a proposta da Comunidade Cristã Voz & Fé.


Uma espiritualidade baseada no acolhimento e não na condenação.


No amor e não no medo.


Na presença e não na exclusão.


Talvez uma das reflexões mais bonitas seja justamente essa:

“Se somos criaturas feitas de um Criador que é amor… então somos projeto de amor.”


Existe poesia nisso.


Existe teologia nisso.


Existe humanidade nisso.


E no meio de tudo ainda surge o “menino do açougue”.


Quase como um símbolo curioso da vida.


Depois de tantas pancadas emocionais…

de tantas desilusões…

de tantas histórias mal resolvidas…

talvez ainda exista alguém olhando.


Talvez ainda exista espaço para surpresa.


Talvez ainda exista possibilidade.


Ou talvez não exista nada.


E tudo bem também.


Porque o episódio não termina prometendo finais felizes.


Ele termina apenas reconhecendo a verdade da vida:

a vida segue.


Com ou sem respostas.

Com ou sem certezas.

Com ou sem reciprocidade.


A vida segue.


E talvez crescer seja exatamente isso:

continuar caminhando mesmo sem saber exatamente para onde o coração ainda quer ir.


No fim, o episódio de hoje não foi sobre crushes.


Foi sobre maturidade.


Sobre limites.


Sobre dignidade emocional.


Sobre aprender a não aceitar qualquer coisa só para não ficar sozinho.


Sobre entender que presença vale mais do que desejo.


E principalmente:

sobre continuar acreditando que ainda existem pessoas capazes de amar de verdade.


Mesmo num mundo que desaprendeu a permanecer.


🎙️ Ouça o episódio completo no Podcast do Fabio:

https://taggo.one/podcastdofabio

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