Há amores que a gente vive.
E há amores que… a gente guarda.

Não em fotos.
Não em mensagens.
Não em histórias para contar.
Mas em um lugar mais silencioso —
e talvez mais verdadeiro.
O Agnaldo nunca foi meu.
E, por muito tempo, eu achei que essa fosse a parte triste da história.
Hoje eu entendo que não.
O que existiu entre nós não foi uma história interrompida.
Foi uma possibilidade que não precisou acontecer…
para ser real.
Era simples.
Uma presença.
Um olhar.
Uma conversa que não precisava de esforço.
Nada grandioso.
Nada dramático.
E, ainda assim… tudo.
Porque havia algo ali que não se explica com lógica.
Algo que não se constrói — apenas se reconhece.
Como se, por um instante,
eu tivesse me encontrado em mim mesmo… através dele.
E isso muda tudo.
Talvez, sim, ele pudesse ter sido o homem da minha vida.
Mas o tempo não quis.
A vida não quis.
Ou talvez… Deus tenha querido diferente.
E eu demorei para entender que nem todo amor vem para ficar ao nosso lado.
Alguns vêm para acender uma luz —
e depois seguir.
O Agnaldo foi isso.
Não um capítulo.
Mas uma revelação.
Não uma história.
Mas um instante que ecoa.
Porque o que ele despertou em mim… não acabou com a ausência dele.
Ficou.
Ficou na forma como eu passei a sentir.
Na forma como eu passei a enxergar o outro.
Na forma como eu entendi que amar não é possuir…
é reconhecer.
Hoje, eu já vi encantos se desfazerem.
Já senti coisas que pareceram intensas… e desapareceram.
Mas o que nasceu ali… não desapareceu.
Porque nunca dependeu de continuidade.
Era inteiro desde o começo.
E talvez seja isso que define os amores mais verdadeiros:
eles não precisam durar para sempre no tempo…
porque já nascem eternos dentro da gente.
O Agnaldo não ficou na minha vida.
Mas ficou em algo que ninguém vê —
e que ninguém pode tirar.
Ficou em quem eu me tornei depois de sentir aquilo.
E, às vezes, eu penso…
Que existem pessoas que passam pela nossa vida como quem atravessa uma porta.
E existem outras…
que passam como quem acende uma luz.
Ele foi luz.
E luz, quando acesa,
não se desfaz —
mesmo quando já não está mais ali.
Portanto: …
Alguns amores não acontecem…
porque vieram apenas para te revelar.
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