quinta-feira, 9 de abril de 2026

Voltei às origens: gravei do carro e percebi que meus valores voltaram pro lugar certo.

Entre a Avenida Paulista, a rotina, a academia, a fé, a memória e as cicatrizes que a vida deixa, um episódio sobre amadurecimento, verdade e aquilo que realmente não pode se perder dentro da gente.



Entre a Avenida Paulista, a rotina, a academia, a fé, a memória e as cicatrizes que a vida deixa, este é um episódio sobre amadurecimento, verdade e aquilo que realmente não pode se perder dentro da gente.


Tem dias em que a gente simplesmente não está produzindo conteúdo. Está vivendo. E talvez seja exatamente por isso que certos episódios saem tão verdadeiros. Hoje, o episódio do meu audioblog nasceu diretamente do carro, ainda antes das sete da manhã, no caminho para a região da Avenida Paulista, onde eu iria ministrar aula. Nada de cenário bonito. Nada de microfone sofisticado no estúdio. Nada de ambiente perfeito. Só eu, o trânsito, o cansaço, o começo de mais um dia cheio e a vontade de registrar a vida como ela é. E, sinceramente, talvez seja exatamente aí que mora a força de um audioblog de verdade.


Porque a vida real não acontece com trilha sonora de cinema, luz controlada e silêncio absoluto. Ela acontece no carro, no atraso, na agenda apertada, na ida para a aula, na preocupação com a mãe, na academia, no corpo tentando voltar aos eixos e na alma tentando voltar para si mesma. E hoje foi exatamente um desses dias. Depois da aula, ainda teria uma rotina inteira pela frente: levar minha mãe para fazer visco-suplementação no joelho, depois levá-la para tomar a vacina da gripe e, se tudo desse certo, encaixar a academia no meio de tudo isso. Ou seja, um dia absolutamente comum. Mas é justamente nos dias comuns que, às vezes, Deus mais fala.


Enquanto eu gravava, uma sensação muito clara foi me tomando por dentro: eu estava voltando às origens. Porque esse meu audioblog já foi muito isso — mais cru, mais espontâneo, mais vivo, mais gravado no meio da vida. Teve uma época em que ele respirava exatamente assim, com menos produção, mas com mais verdade. Depois vieram os estúdios, a organização, os compromissos, a rádio, o Drops Jurídico, as aulas, os materiais, a correria. E tudo isso é importante, claro. Mas existe uma coisa que, quando se perde, o conteúdo pode até continuar bonito, mas deixa de ter alma. E hoje eu senti que voltei a tocar exatamente nessa alma, voltei ao lugar onde o podcast deixa de ser produto e volta a ser presença.


No meio da gravação, uma memória veio — e eu deixei ela vir. Porque no dia 7 de abril foi o aniversário do meu primeiro ex-namorado. E existe um detalhe que muda tudo: ele morreu em 2023. Isso cria um tipo muito específico de memória. Não é apenas saudade, não é apenas lembrança, não é apenas um ciclo mal resolvido. É uma espécie de silêncio interno que permanece. É a consciência de que certas histórias não terminam com um ponto final bonito. Elas ficam pairando dentro da gente, entre o que foi, o que não foi e o que nunca mais poderá ser. E talvez amadurecer seja exatamente isso: não fingir que certas coisas não tocaram a nossa vida, mas aprender a não viver mais dentro delas. Porque eu ainda sou um homem que sente muito — talvez até demais. Tem gente que chama isso de exagero. Eu chamo de profundidade.


E aí veio uma constatação que me chamou atenção. Ontem, ao sair da academia, vi o Yuri chegando. E pela primeira vez em muito tempo, consegui olhar para ele sem sentir nada. Nada. E quem já viveu apego, projeção ou desejo insistente sabe o tamanho disso. Porque não é sobre ele ter deixado de ser bonito. Não é sobre desmerecer. Pelo contrário. Continuo reconhecendo que ele é uma pessoa bonita, interessante e boa gente. Mas existe uma diferença enorme entre achar alguém bonito e querer essa pessoa para a sua vida. E talvez um dos maiores sinais de amadurecimento seja justamente esse: quando a gente entende que nem tudo o que nos atrai merece nos ocupar. Nem tudo o que desperta algo em nós tem valor suficiente para permanecer. Nem todo encanto merece virar destino. E o que eu senti não foi raiva, nem mágoa, nem ressentimento. Foi paz. Uma paz estranha e boa, dessas que só aparecem quando a gente se reencontra consigo mesmo.


Talvez tudo isso também tenha raízes mais profundas. Quando me descobri bissexual, eu também descobri o peso de um mundo que nem sempre sabe acolher o que foge do padrão. E isso machuca. Machuca de um jeito silencioso, que vai endurecendo por dentro, deixando a gente mais introspectivo, mais observador, mais fechado. Mas também ensina. Ensina a filtrar, a perceber, a não aceitar qualquer migalha emocional só porque ela brilha por alguns instantes. E talvez hoje eu esteja exatamente nesse ponto: não mais no lugar da carência que se agarra, mas no lugar da consciência que escolhe.


Se eu tivesse que resumir tudo isso em uma frase, seria essa: meus valores voltaram pro lugar certo. E isso não é pouca coisa. Porque existem fases em que a gente continua funcionando por fora, mas por dentro está desalinhado. A gente aceita o que não combina, tolera o que fere, insiste no que não constrói. Até que a vida — ou Deus — ou uma dor — ou uma decepção — faz a gente acordar. E foi isso que aconteceu. Meus valores, que em algum momento estavam perdidos, voltaram para o eixo. E quando isso acontece, a gente muda. Não porque vira outra pessoa, mas porque volta a ser quem realmente é.


E existem símbolos que me acompanham nesse processo. A minha aliança. O meu anel. Coisas que, para quem vê de fora, podem parecer apenas acessórios, mas que para mim carregam significado, fé, compromisso e identidade. Nem tudo o que é sagrado precisa ser explicado. Algumas coisas só precisam ser vividas.


Ao mesmo tempo, minha fé também está ganhando uma forma nova dentro de mim. A Comunidade Cristã Voz & Fé está nascendo como expressão disso. Não como vitrine religiosa, mas como espaço de acolhimento real. Porque eu acredito profundamente que Deus é amor — e quem ama permanece em Deus. Para todos. Sem exceção. E isso também é colocar os valores no lugar certo.


E no meio de tudo isso, algumas pessoas seguem como símbolo. Como o Agnaldo, meu eterno crush. Não como idealização vazia, mas como memória de algo bonito que existiu. Porque nem todo encontro precisa virar relacionamento para ter importância. Tem gente que passa pela nossa vida só para nos lembrar que ainda somos capazes de sentir algo verdadeiro.


Talvez crescer seja exatamente isso: continuar sentindo sem se perder, acreditar sem se humilhar, desejar sem se desrespeitar, amar sem se abandonar e viver sem negociar os próprios valores. E foi isso que eu gravei hoje. Não foi só um áudio no carro. Foi um reencontro. Com a minha história, com a minha fé, com a minha forma de comunicar e, acima de tudo, comigo mesmo.


E no meio de um dia comum, entre trânsito, compromissos, academia, memória e fé, eu percebi com clareza:


meus valores voltaram pro lugar certo.


E isso muda tudo.


🎧 Ouça o episódio completo no Podcast do Fabio

🔗 taggo.one/podcastdofabio


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Voltei às origens: gravei do carro e percebi que meus valores voltaram pro lugar certo.

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